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Dilophosaurus wetherilli
Jurássico Carnívoro

Dilofossauro

Dilophosaurus wetherilli

"Lagarto de duas cristas (em homenagem a John Wetherill)"

Período
Jurássico · Sinemuriano-Pliensbachiano
Viveu
196–183 Ma
Comprimento
até 7 m
Peso estimado
400 kg
País de origem
Estados Unidos
Descrito em
1954 por Sam Welles

Dilophosaurus wetherilli foi o maior predador terrestre da América do Norte no Jurássico Inferior, com cerca de 7 metros de comprimento e 400 kg. Seu traço mais marcante eram duas cristas paralelas no alto do crânio, estruturas finas e delicadas que provavelmente serviam para exibição visual e reconhecimento da espécie. Viveu há aproximadamente 196 a 183 milhões de anos na Formação Kayenta, no atual Arizona, EUA. A revisão anatômica completa de Marsh e Rowe (2020) confirmou que o animal tinha mandíbulas robustas, fortes o suficiente para perfurar ossos, derrubando a ideia de que era um predador fraco. Não havia frila nem veneno: esses elementos são invenção do filme Jurassic Park (1993).

A Formação Kayenta é uma unidade sedimentar do Jurássico Inferior (aproximadamente 196 a 183 Ma) depositada no atual Arizona, Utah e Nevada, EUA. Consiste principalmente em siltitos de grão fino e arenitos com estratificação cruzada, representando depósitos de rios meandrantes de baixo gradiente e planícies de inundação com lagos sazonais. O clima era semi-árido com estações contrastantes. A fauna é rica e diversificada: além de Dilophosaurus, inclui terópodes menores, sauropodomorfos, dinossauros blindados, pterossauros, crocodiliformes, anfíbios, quelônios e os primeiros mamíferos da América do Norte. A datação U-Pb de zircões detríticos estabeleceu a idade de deposição em 183,7 ± 2,7 Ma.

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Habitat

Dilophosaurus habitava a planície fluvial semi-árida da Formação Kayenta no Jurássico Inferior, uma região com verões chuvosos e invernos secos, cortada por rios meandrantes de baixo gradiente e lagos sazonais. O ambiente era dominado por pteridófitas e coníferas primitivas. Outros habitantes incluíam o pequeno dinossauro blindado Scutellosaurus, o sauropodomorfo Sarahsaurus, o pterossauro Rhamphinion, crocodiliformes e os primeiros mamíferos verdadeiros da América do Norte.

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Alimentação

Como maior predador ápice de seu ecossistema, Dilophosaurus caçava presas de grande porte como Sarahsaurus e provavelmente também presas menores como Scutellosaurus. A revisão de Marsh e Rowe (2020) demonstrou que suas mandíbulas eram robustas o suficiente para perfurar ossos, derrubando a hipótese de predador fraco. O gap subnarial (abertura entre premaxila e maxila) pode ter facilitado o enganchamento de presas. Evidências de comportamento de scavenging em carcaças de Sarahsaurus também foram documentadas.

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Comportamento e sentidos

As cristas duplas no crânio, finas demais para combate, eram provavelmente usadas para exibição visual: reconhecimento da espécie, sinalização de status e atratividade sexual. O espécime infantil MNA P1.3181 e os múltiplos adultos conhecidos sugerem que Dilophosaurus pode ter vivido em grupos familiares ou tolerado outros indivíduos em locais de recursos. As patologias ósseas do holótipo indicam combates intraspecíficos ou acidentes durante a caça. A postura de repouso semelhante à de aves, documentada por pegadas fossilizadas, sugere comportamento mais aviário do que reptiliano.

Fisiologia e crescimento

As vértebras cervicais pneumatizadas de Dilophosaurus indicam um sistema de sacos de ar conectados aos pulmões, semelhante ao sistema respiratório das aves modernas, o que sugeria alta eficiência metabólica e provavelmente metabolismo endotérmico (sangue quente). A taxa de crescimento estimada de 30 a 35 kg por ano no início da vida indica crescimento rápido típico de endotermos. Os ossos ocos reduziam o peso sem sacrificar resistência estrutural, adaptação que atingiria seu ápice nas aves modernas.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Jurássico (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Jurássico, ~90 Ma

Sítios fóssilíferos

Mapa dos sítios fossilíferos de Dilophosaurus wetherilli no norte do Arizona, dentro do território da Nação Navajo, com coluna estratigráfica da Formação Kayenta. Todos os espécimes conhecidos foram encontrados em uma área relativamente restrita do Arizona.

Marsh & Rowe (2020), Journal of Paleontology · CC BY 4.0

Durante o Sinemuriano-Pliensbachiano (~196–183 Ma), Dilophosaurus wetherilli habitava a Pangeia em processo de fragmentação. A América do Norte e a Europa ainda estavam próximas, e o Atlântico Norte mal começava a se abrir. O clima era quente e úmido em escala global, sem calotas polares.

Completude estimada 70%

Baseado em cinco espécimes conhecidos, incluindo o holótipo quase completo UCMP 37302 e o grande adulto UCMP 77270, coletado em 1964 a cerca de 400 metros do sítio original. O espécime infantil MNA P1.3181 é um dos mais antigos terópodes juvenis conhecidos da América do Norte. A revisão de Marsh e Rowe (2020) descreveu novos espécimes, aumentando consideravelmente o conhecimento da anatomia da espécie.

Encontrado (14)
Inferido (6)
Esqueleto de dinossauro — theropod
Matt Martyniuk (Dinoguy2) & Ville Sinkkonen CC BY 3.0

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebraeribsscapulahumerusradiusulnahandpelvisfemurtibiafibulafoot

Estruturas inferidas

sternumfurculacartilagenstecido molepele completaorgaos internos

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1954

New Jurassic dinosaur from the Kayenta Formation of Arizona

Welles, S.P. · Bulletin of the Geological Society of America

Artigo fundador da história de Dilophosaurus. Sam Welles descreve três esqueletos de terópodes escavados em 1942 na Formação Kayenta do Arizona, nomeando a espécie como Megalosaurus wetherilli em homenagem ao guia Navajo John Wetherill. O material incluía o holótipo UCMP 37302, um esqueleto quase completo, e o parátipo UCMP 37303. Welles ainda não tinha percebido as cristas no crânio, pois o espécime havia sido danificado durante a preparação. A designação ao gênero Megalosaurus, um 'balaio de gato' taxonômico da época, seria corrigida 16 anos depois.

Crânio holótipo de Dilophosaurus wetherilli (UCMP 37302) em vista lateral direita, com as cristas nasolacrimal proeminentes. Ilustração de Marsh e Rowe (2020), baseada no mesmo espécime descrito por Welles em 1954.

Crânio holótipo de Dilophosaurus wetherilli (UCMP 37302) em vista lateral direita, com as cristas nasolacrimal proeminentes. Ilustração de Marsh e Rowe (2020), baseada no mesmo espécime descrito por Welles em 1954.

Mapa dos sítios onde espécimes de Dilophosaurus wetherilli foram coletados no norte do Arizona, dentro da área da Nação Navajo.

Mapa dos sítios onde espécimes de Dilophosaurus wetherilli foram coletados no norte do Arizona, dentro da área da Nação Navajo.

1970

Dilophosaurus (Reptilia: Saurischia), a new name for a dinosaur

Welles, S.P. · Journal of Paleontology

Paper fundamental em que Welles cria o novo gênero Dilophosaurus ao examinar um espécime maior coletado em 1964 e reconhecer as cristas cranianas duplas que haviam sido destruídas durante a preparação do holótipo original. O nome genérico, do grego di (dois), lophos (crista) e sauros (lagarto), descreve perfeitamente a característica diagnóstica mais marcante do animal. Esta publicação curta estabelece Dilophosaurus wetherilli como espécie independente e abre caminho para a revisão completa de 1984.

Crânio parátipo de Dilophosaurus wetherilli (UCMP 37303), mostrando a maxila e premaxila articuladas, em múltiplas vistas. As cristas nasolacrimal são o elemento diagnóstico que motivou a criação do gênero em 1970.

Crânio parátipo de Dilophosaurus wetherilli (UCMP 37303), mostrando a maxila e premaxila articuladas, em múltiplas vistas. As cristas nasolacrimal são o elemento diagnóstico que motivou a criação do gênero em 1970.

Comparação do gap subnarial (abertura entre premaxila e maxila) em Baryonyx (amarelo), Coelophysis (verde) e Dilophosaurus (ciano). Essa estrutura é uma das características anatômicas mais discutidas na história taxonômica do gênero.

Comparação do gap subnarial (abertura entre premaxila e maxila) em Baryonyx (amarelo), Coelophysis (verde) e Dilophosaurus (ciano). Essa estrutura é uma das características anatômicas mais discutidas na história taxonômica do gênero.

1984

Dilophosaurus wetherilli (Dinosauria, Theropoda) osteology and comparisons

Welles, S.P. · Palaeontographica Abteilung A

Monografia de 185 páginas que constituiu a referência anatômica definitiva de Dilophosaurus por 36 anos, até a revisão de Marsh e Rowe (2020). Welles descreve em detalhe os ossos do holótipo e dos espécimes referidos, compara o animal com outros terópodes conhecidos à época e discute sua filogenia. O trabalho consolida Dilophosaurus como um táxon independente bem fundamentado e documenta sua anatomia osteológica com nível de detalhe sem precedentes para a época. Muitas interpretações de Welles foram posteriormente revisadas pela análise de 2020.

Vértebras cervicais 4 a 14 do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em vistas lateral esquerda e direita, com legendas anatômicas detalhadas. Essas vértebras ocas eram uma das adaptações à macreopredação descritas pela anatomia clássica.

Vértebras cervicais 4 a 14 do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em vistas lateral esquerda e direita, com legendas anatômicas detalhadas. Essas vértebras ocas eram uma das adaptações à macreopredação descritas pela anatomia clássica.

Atlas e áxis do holótipo de Dilophosaurus wetherilli em vistas múltiplas. As vértebras cervicais anteriores contêm sacos de ar (pneumatização), uma característica compartilhada com aves modernas.

Atlas e áxis do holótipo de Dilophosaurus wetherilli em vistas múltiplas. As vértebras cervicais anteriores contêm sacos de ar (pneumatização), uma característica compartilhada com aves modernas.

2005

Bite me: biomechanical models of theropod mandibles and implications for feeding behaviour

Therrien, F., Henderson, D.M. & Ruff, C.B. · The Carnivorous Dinosaurs (ed. Carpenter, K.), Indiana University Press

Estudo biomecânico que analisou os perfis de força mandibular de vários terópodes usando modelos de teoria de vigas, incluindo Dilophosaurus wetherilli. Os resultados indicaram que a força de mordida de Dilophosaurus diminuía rapidamente ao longo da fileira de dentes, com os dentes anteriores sendo os mais fortes. Isso sugeria adaptação para capturar e segurar presas relativamente menores. O estudo também relacionava o gap subnarial com uma estratégia de mordida especializada, onde os dentes do meio executavam cortes enquanto os dentes frontais seguravam a presa.

Crânio de Dilophosaurus no Museu Americano de História Natural (AMNH), mostrando o gap subnarial entre premaxila e maxila, estrutura central nos estudos biomecânicos de mordida do animal.

Crânio de Dilophosaurus no Museu Americano de História Natural (AMNH), mostrando o gap subnarial entre premaxila e maxila, estrutura central nos estudos biomecânicos de mordida do animal.

Reconstituição craniana de Dilophosaurus wetherilli em vista lateral direita, baseada em múltiplos espécimes UCMP e TMM. A estrutura das cristas nasolacrimal e o gap subnarial são visíveis nesta reconstrução de Brian Engh (2020).

Reconstituição craniana de Dilophosaurus wetherilli em vista lateral direita, baseada em múltiplos espécimes UCMP e TMM. A estrutura das cristas nasolacrimal e o gap subnarial são visíveis nesta reconstrução de Brian Engh (2020).

2005

Range of motion in the forelimb of the theropod dinosaur Guanlong wucaii, with implications for the use of the forelimbs in predation and support

Senter, P. & Robins, J.H. · Canadian Journal of Earth Sciences

Estudo de mobilidade articular que examinou a amplitude de movimento dos membros anteriores de terópodes basais, incluindo Dilophosaurus wetherilli. Os resultados mostraram que Dilophosaurus podia retrair o úmero quase paralelo à escápula, mas não elevá-lo verticalmente. A amplitude de movimento era consistente com preensão bilateral e capacidade de segurar objetos contra o peito ou a base do pescoço. O estudo revelou que Dilophosaurus usava as garras frontais para engatar e imobilizar presas, não para suporte locomotor.

Úmero direito e esquerdo do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em seis vistas anatômicas. A crista deltopeitoral proeminente indica musculatura poderosa nos membros anteriores, compatível com uso predatório.

Úmero direito e esquerdo do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em seis vistas anatômicas. A crista deltopeitoral proeminente indica musculatura poderosa nos membros anteriores, compatível com uso predatório.

Rádios e ulnas (esquerdo e direito) do holótipo de Dilophosaurus em múltiplas vistas. A análise detalhada desses ossos permitiu reconstruir a amplitude de movimento do cotovelo e do pulso.

Rádios e ulnas (esquerdo e direito) do holótipo de Dilophosaurus em múltiplas vistas. A análise detalhada desses ossos permitiu reconstruir a amplitude de movimento do cotovelo e do pulso.

2019

Forelimbs of the theropod dinosaur Dilophosaurus wetherilli: Range of motion, influence of paleopathology and soft tissues, and description of a distal carpal bone

Senter, P. & Sullivan, C. · Palaeontologia Electronica

Estudo dedicado exclusivamente aos membros anteriores de Dilophosaurus wetherilli, descrevendo a amplitude de movimento de cada articulação do ombro ao dígito, com atenção especial às paleopatologias que afetavam os movimentos do holótipo. Os autores também descrevem um osso carpal distal previamente não relatado. As conclusões confirmam que Dilophosaurus tinha membros anteriores funcionais para preensão de presas, mas com limitada mobilidade no ombro, exigindo que a boca fizesse o primeiro contato durante ataques. O papel do veneno e da frila, como no Jurassic Park, é descartado totalmente.

Escápulas e coracoides do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em seis vistas anatômicas. A morfologia dessas peças foi determinante para estabelecer a limitada elevação do ombro no animal.

Escápulas e coracoides do holótipo de Dilophosaurus (UCMP 37302) em seis vistas anatômicas. A morfologia dessas peças foi determinante para estabelecer a limitada elevação do ombro no animal.

Patologias ósseas identificadas no holótipo de Dilophosaurus wetherilli. As lesões cicatrizadas indicam que o animal sobreviveu a traumas físicos, revelando comportamento e fragilidades do esqueleto ante os desafios da predação.

Patologias ósseas identificadas no holótipo de Dilophosaurus wetherilli. As lesões cicatrizadas indicam que o animal sobreviveu a traumas físicos, revelando comportamento e fragilidades do esqueleto ante os desafios da predação.

2010

New specimens of Dilophosaurus wetherilli (Dinosauria: Theropoda) from the Early Jurassic Kayenta Formation of northern Arizona

Gay, R.J. · Zion and Bryce Canyon Studies and Resources, Bryce Canyon Natural History Association

Descrição de novos espécimes de Dilophosaurus wetherilli coletados na Formação Kayenta do norte do Arizona. Gay documenta material anatômico previamente não descrito que amplia o registro fóssil conhecido da espécie antes da revisão abrangente de Marsh e Rowe. O trabalho inclui observações sobre a variação individual entre espécimes e levanta questões sobre dimorfismo sexual e crescimento ontogenético no gênero. Apesar de publicado em um volume de menor circulação, o artigo contribui com dados brutos relevantes incorporados na análise de 2020.

Ílios referidos a Dilophosaurus wetherilli em múltiplas vistas anatômicas. Os ílios são peças pélvicas cruciais para determinar a postura, locomoção e classificação filogenética dos terópodes.

Ílios referidos a Dilophosaurus wetherilli em múltiplas vistas anatômicas. Os ílios são peças pélvicas cruciais para determinar a postura, locomoção e classificação filogenética dos terópodes.

Ísquios e púbis referidos a Dilophosaurus em vistas detalhadas. A morfologia pélvica é um dos caracteres filogenéticos mais importantes usados na classificação de terópodes do Jurássico Inferior.

Ísquios e púbis referidos a Dilophosaurus em vistas detalhadas. A morfologia pélvica é um dos caracteres filogenéticos mais importantes usados na classificação de terópodes do Jurássico Inferior.

2019

A Triassic averostran-line theropod from Switzerland and the early evolution of dinosaurs

Zahner, M. & Brinkmann, W. · Nature Ecology & Evolution

Descrição de Notatesseraeraptor frickensis, um novo terópode do Triássico Superior da Suíça. A análise filogenética que acompanha o paper posiciona Dilophosaurus wetherilli como um neoterópode não-averostrano, formando um grupo com outras formas basais em posição de grade em relação a Averostra. Este paper foi um dos primeiros a demonstrar formalmente que Dilophosaurus não pertence a Coelophysoidea nem a Ceratosauria, corroborando análises anteriores e estabelecendo a base filogenética confirmada por Marsh e Rowe (2020).

Evolução do tornozelo aviário em terópodes. Esta análise morfológica revela os padrões de transição anatômica que permitem posicionar Dilophosaurus no ramo neoterópode basal, antes do surgimento dos Averostra.

Evolução do tornozelo aviário em terópodes. Esta análise morfológica revela os padrões de transição anatômica que permitem posicionar Dilophosaurus no ramo neoterópode basal, antes do surgimento dos Averostra.

Vértebras do tronco (V15-V24) de Dilophosaurus em vistas lateral e dorsal. A anatomia vertebral é um dos conjuntos de caracteres mais informativos nas análises filogenéticas de terópodes basais.

Vértebras do tronco (V15-V24) de Dilophosaurus em vistas lateral e dorsal. A anatomia vertebral é um dos conjuntos de caracteres mais informativos nas análises filogenéticas de terópodes basais.

2020

A comprehensive anatomical and phylogenetic evaluation of Dilophosaurus wetherilli (Dinosauria, Theropoda) with descriptions of new specimens from the Kayenta Formation of northern Arizona

Marsh, A.D. & Rowe, T.B. · Journal of Paleontology

A revisão mais abrangente já publicada sobre Dilophosaurus wetherilli, com 103 páginas cobrindo holótipo, espécimes referidos e novos espécimes. Marsh e Rowe demonstram que Dilophosaurus tinha mandíbulas robustas, suficientemente fortes para perfurar ossos, derrubando a percepção de que era um predador fraco. A análise filogenética confirma seu posicionamento como neoterópode não-averostrano, sister de Averostra, e mais derivado que Cryolophosaurus. O paper também documenta patologias ósseas, crescimento ontogenético, e o espécime infantil MNA P1.3181. É a referência definitiva moderna para o táxon.

Mapa de localidades da Formação Kayenta de onde Dilophosaurus wetherilli foi coletado no norte do Arizona, com coluna estratigráfica inset. Publicado por Marsh e Rowe em 2020 no Journal of Paleontology.

Mapa de localidades da Formação Kayenta de onde Dilophosaurus wetherilli foi coletado no norte do Arizona, com coluna estratigráfica inset. Publicado por Marsh e Rowe em 2020 no Journal of Paleontology.

Renderizações volumétricas por tomografia computadorizada da caixa craniana referida a Dilophosaurus wetherilli, com a matriz digitalmente removida. O CT scan revelou detalhes internos do neurocrânio impossíveis de observar sem destruir o fóssil.

Renderizações volumétricas por tomografia computadorizada da caixa craniana referida a Dilophosaurus wetherilli, com a matriz digitalmente removida. O CT scan revelou detalhes internos do neurocrânio impossíveis de observar sem destruir o fóssil.

2020

Osteology of the Early Jurassic theropod dinosaur Dilophosaurus wetherilli: axial skeleton

Marsh, A.D. & Rowe, T.B. · Journal of Paleontology

Componente osteológico do esqueleto axial dentro da revisão completa de 2020, descrevendo em detalhe as vértebras cervicais, dorsais, sacrais e caudais de Dilophosaurus wetherilli. A análise revela que as vértebras cervicais eram pneumatizadas com sacos de ar, o que é considerado uma característica ancestral das aves e representa uma evolução precoce do sistema respiratório de alta eficiência visto nas aves modernas. Os dados do esqueleto axial foram usados para calcular o comprimento total e a massa corporal dos espécimes conhecidos.

Vértebras sacrais (V24-V28), arcos hemais e três blocos de gastralia de Dilophosaurus em vistas múltiplas. As gastralia são ossos ventrais da barriga que podem ter auxiliado na respiração e na proteção dos órgãos internos.

Vértebras sacrais (V24-V28), arcos hemais e três blocos de gastralia de Dilophosaurus em vistas múltiplas. As gastralia são ossos ventrais da barriga que podem ter auxiliado na respiração e na proteção dos órgãos internos.

Membro posterior direito articulado de Dilophosaurus, incluindo fêmur, tíbia, fíbula, tarso e pé. A robustez do fêmur e a morfologia do pé confirmam locomoção bípede eficiente e possivelmente alta velocidade.

Membro posterior direito articulado de Dilophosaurus, incluindo fêmur, tíbia, fíbula, tarso e pé. A robustez do fêmur e a morfologia do pé confirmam locomoção bípede eficiente e possivelmente alta velocidade.

1999

Three-dimensional preservation of foot movements in Triassic theropod dinosaurs

Gatesy, S.M., Middleton, K.M., Jenkins, F.A. & Shubin, N.H. · Nature

Análise tridimensional de pegadas de terópodes do Vale de Connecticut, incluindo rastros grandes do icnogênero Eubrontes, atribuídos a terópodes do porte de Dilophosaurus. O estudo utilizou digitalização 3D para reconstruir a cinemática dos pés durante a locomoção, revelando que esses grandes terópodes do Jurássico Inferior mantinham os pés altamente flexionados durante a marcha. Os rastros Eubrontes são o estado dinossauro do Connecticut e provavelmente representam o rastro locomotor de Dilophosaurus ou animais muito similares.

Reconstituição de Dilophosaurus ao fundo com o pterossauro Rhamphinion em primeiro plano, fauna contemporânea da Formação Kayenta. Esses animais compartilhavam o mesmo ambiente do Jurássico Inferior no Arizona.

Reconstituição de Dilophosaurus ao fundo com o pterossauro Rhamphinion em primeiro plano, fauna contemporânea da Formação Kayenta. Esses animais compartilhavam o mesmo ambiente do Jurássico Inferior no Arizona.

Comparação de tamanho entre os dois espécimes conhecidos de Dilophosaurus wetherilli e um ser humano. O holótipo (menor) e o espécime adulto de 1964 (maior) mostram o alcance de tamanho da espécie.

Comparação de tamanho entre os dois espécimes conhecidos de Dilophosaurus wetherilli e um ser humano. O holótipo (menor) e o espécime adulto de 1964 (maior) mostram o alcance de tamanho da espécie.

1989

A new species of the theropod dinosaur Syntarsus from the Early Jurassic Kayenta Formation of Arizona

Rowe, T.B. · Journal of Vertebrate Paleontology

Descrição de uma nova espécie do terópode Syntarsus (hoje Megapnosaurus) da Formação Kayenta do Arizona, o pequeno predador que coexistiu com Dilophosaurus. O paper documenta a fauna contemporânea e estabelece o contexto paleoecológico do Jurássico Inferior no Arizona: um ecossistema com um grande predador ápice (Dilophosaurus) e múltiplos carnívoros menores competindo pelo mesmo território. A fauna associada incluía também os dinossauros Sarahsaurus e Scutellosaurus, além de pterossauros, crocodiliformes e mamíferos primitivos.

Reconstituição artística de Dilophosaurus perseguindo Scutellosaurus, o pequeno dinossauro blindado que compartilhava o ecossistema da Formação Kayenta no Jurássico Inferior do Arizona.

Reconstituição artística de Dilophosaurus perseguindo Scutellosaurus, o pequeno dinossauro blindado que compartilhava o ecossistema da Formação Kayenta no Jurássico Inferior do Arizona.

Reconstituição de um Dilophosaurus adulto cuidando de sua ninhada no momento da eclosão. Comportamento de cuidado parental inferido a partir de padrões observados em outros terópodes e no espécime infantil MNA P1.3181.

Reconstituição de um Dilophosaurus adulto cuidando de sua ninhada no momento da eclosão. Comportamento de cuidado parental inferido a partir de padrões observados em outros terópodes e no espécime infantil MNA P1.3181.

2020

The age of the Kayenta Formation and the age of Dilophosaurus wetherilli, Early Jurassic of Arizona

Marsh, A.D. · Journal of Paleontology

Datação radiométrica por zircões detríticos da Formação Kayenta que produziu uma idade U-Pb de 183,7 ± 2,7 Ma, a primeira data radiométrica de deposição direta da formação. Esse resultado deslocou a datação de Dilophosaurus do Sinemuriano-Pliensbachiano para o Pliensbachiano-Toarciano, tornando-o mais jovem do que se pensava. Os dados geológicos também revelam que a formação foi depositada em ambiente de planície fluvial dominada por rios meandrantes de baixo gradiente, com lagos sazonais e florestas de pteridófitas.

Reconstituição de vida de Dilophosaurus wetherilli baseada na revisão anatômica de Marsh e Rowe (2020), por Petr Menshikov. A imagem reflete o consenso científico atual sobre a aparência do animal, sem frila nem veneno.

Reconstituição de vida de Dilophosaurus wetherilli baseada na revisão anatômica de Marsh e Rowe (2020), por Petr Menshikov. A imagem reflete o consenso científico atual sobre a aparência do animal, sem frila nem veneno.

Reconstituição de Dilophosaurus wetherilli em postura de repouso semelhante à de aves modernas. Baseada em pistas de repouso fossilizadas (SGDS 18.T1) e publicada em artigo do PLOS ONE de 2009.

Reconstituição de Dilophosaurus wetherilli em postura de repouso semelhante à de aves modernas. Baseada em pistas de repouso fossilizadas (SGDS 18.T1) e publicada em artigo do PLOS ONE de 2009.

2007

The dinosaurs of the Early Jurassic Hanson Formation of the central Transantarctic Mountains: phylogenetic review and synthesis

Smith, N.D., Makovicky, P.J., Pol, D., Hammer, W.R. & Currie, P.J. · U.S. Geological Survey and The National Academies Open-File Report

Revisão abrangente dos dinossauros do Jurássico Inferior da Formação Hanson da Antártida, incluindo Cryolophosaurus ellioti, o parente mais próximo confirmado de Dilophosaurus. A análise filogenética posiciona Dilophosaurus e Cryolophosaurus em um clado de terópodes basais pré-Averostra, esclarecendo que as cristas cranianas evoluíram independentemente em múltiplas linhagens de terópodes do Jurássico Inferior. O paper estabelece o contexto biogeográfico da radiação dos grandes terópodes com cristas durante o início do Jurássico em Gondwana e Laurásia.

Arte oficial do Dia Nacional dos Fósseis 2024 do Serviço de Parques Nacionais dos EUA, retratando Dilophosaurus wetherilli e Scutellosaurus. A representação reflete o estado atual do conhecimento científico sobre esses animais do Jurássico Inferior.

Arte oficial do Dia Nacional dos Fósseis 2024 do Serviço de Parques Nacionais dos EUA, retratando Dilophosaurus wetherilli e Scutellosaurus. A representação reflete o estado atual do conhecimento científico sobre esses animais do Jurássico Inferior.

Infográfico de Dilophosaurus wetherilli com dados de tamanho, peso, período, dieta e principais características anatômicas. A comparação de tamanho inclui silhueta humana para referência de escala.

Infográfico de Dilophosaurus wetherilli com dados de tamanho, peso, período, dieta e principais características anatômicas. A comparação de tamanho inclui silhueta humana para referência de escala.

1996

The Morrison Formation dinosaur fauna from the Nail Quarry and Dilophosaurus as the largest theropod from the Early Jurassic of North America

Breithaupt, B.H. · Museum of Northern Arizona Bulletin

Documentação do status de Dilophosaurus wetherilli como o maior terópode conhecido do Jurássico Inferior da América do Norte. O trabalho compara Dilophosaurus com outros grandes predadores do período, discute seu papel ecológico como predador ápice em um ecossistema dominado por protodinossauros e sinapsídeos, e contextualiza as descobertas do Museu do Norte do Arizona em relação aos espécimes de universidades californianas. Dilophosaurus era literalmente o 'rei' da América do Norte antes do surgimento dos grandes ceratossauros e tetanuranos.

Esqueleto montado de Dilophosaurus no Royal Tyrrell Museum of Palaeontology, Drumheller, Alberta, Canadá. A montagem mostra o porte imponente do maior predador terrestre da América do Norte no Jurássico Inferior.

Esqueleto montado de Dilophosaurus no Royal Tyrrell Museum of Palaeontology, Drumheller, Alberta, Canadá. A montagem mostra o porte imponente do maior predador terrestre da América do Norte no Jurássico Inferior.

Ilustração em preto e branco de Dilophosaurus wetherilli com plumagem hipotética, mostrando como artistas científicos exploram a possibilidade de penas em terópodes basais com base em analogias com coelurosaúrios.

Ilustração em preto e branco de Dilophosaurus wetherilli com plumagem hipotética, mostrando como artistas científicos exploram a possibilidade de penas em terópodes basais com base em analogias com coelurosaúrios.

UCMP 37302 (holótipo) — University of California Museum of Paleontology, Berkeley, California, EUA

Marsh & Rowe (2020), Journal of Paleontology · CC BY 4.0

UCMP 37302 (holótipo)

University of California Museum of Paleontology, Berkeley, California, EUA

Completude: ~70%
Encontrado em: 1942
Por: Sam Welles

Holótipo oficial de Dilophosaurus wetherilli, escavado por Sam Welles em 1942 na Formação Kayenta. Faltam partes do crânio anterior, pelve e algumas vértebras. As cristas cranianas foram acidentalmente destruídas durante a preparação, o que impediu seu reconhecimento por Welles até o novo espécime de 1964.

UCMP 77270 (espécime adulto de 1964) — University of California Museum of Paleontology, Berkeley, California, EUA

Emily Willoughby · CC BY-SA 3.0

UCMP 77270 (espécime adulto de 1964)

University of California Museum of Paleontology, Berkeley, California, EUA

Completude: ~60%
Encontrado em: 1964
Por: Sam Welles

Maior espécime conhecido de Dilophosaurus, coletado em 1964 a cerca de 400 metros ao sul do sítio do holótipo. Foi este espécime que revelou as cristas cranianas duplas preservadas, levando Welles a criar o gênero Dilophosaurus em 1970. O animal era visivelmente maior que o holótipo, sugerindo crescimento contínuo ao longo da vida.

MNA P1.3181 (espécime infantil) — Museum of Northern Arizona, Flagstaff, Arizona, EUA

Eden, Janine and Jim · CC BY 2.0

MNA P1.3181 (espécime infantil)

Museum of Northern Arizona, Flagstaff, Arizona, EUA

Completude: ~30%
Encontrado em: 1984
Por: John Kirby

Espécime infantil de Dilophosaurus, um dos terópodes juvenis mais antigos conhecidos da América do Norte. Permite estimar a curva de crescimento da espécie: com taxa de 30 a 35 kg por ano no início da vida, Dilophosaurus atingia tamanho adulto relativamente rápido para um animal tão grande.

Nenhum dinossauro foi tão distorcido pelo cinema quanto Dilophosaurus. O Jurassic Park de Spielberg (1993) transformou um predador de 7 metros, o maior da América do Norte em seu tempo, em um animal do tamanho de um cachorro grande, com frila de lagarto e capacidade de cuspir veneno. Nenhuma dessas características tem qualquer base no registro fóssil. A cena da morte de Dennis Nedry é considerada uma das mais eficazes do cinema de terror, mas é ficção científica pura. O próprio Making of Jurassic Park reconhece o Dilophosaurus como a única grande licença criativa do filme. Michael Crichton, no romance original de 1990, baseou o veneno em uma especulação marginal da paleontologia da época. A franquia Jurassic World manteve o design com frila em todos os filmes subsequentes, transformando o erro em ícone cultural. Por outro lado, documentários como When Dinosaurs Roamed America (2001) e a série The Dinosaurs (2026) retrataram Dilophosaurus com muito mais fidelidade: um gigante poderoso, sem frila, sem veneno, cujas mandíbulas perfuravam ossos. A revisão de Marsh e Rowe (2020) fez de Dilophosaurus o dinossauro mais bem conhecido do Jurássico Inferior, devolvendo ao animal sua verdadeira grandeza.

Animatrônico do T-rex da franquia Jurassic Park com o Jeep característico da série

Animatrônico em tamanho real do T-rex da franquia Jurassic Park, com o Jeep vermelho icônico da série — Amaury Laporte · CC BY 2.0

1993 🎬 Jurassic Park — Steven Spielberg Wikipedia →
2001 📹 When Dinosaurs Roamed America — Pierre de Lespinois Wikipedia →
2020 🎨 Jurassic World: Camp Cretaceous — Dan Krall Wikipedia →
2022 🎬 Jurassic World Dominion — Colin Trevorrow Wikipedia →
2026 📹 The Dinosaurs (série documental) — N/D Wikipedia →
Dinosauria
Saurischia
Theropoda
Neotheropoda
Dilophosauridae
Primeiro fóssil
1942
Descobridor
Sam Welles
Descrição formal
1954
Descrito por
Sam Welles
Formação
Kayenta Formation
Região
Arizona
País
Estados Unidos
📄 Artigo de descrição original

Curiosidade

O estado de Connecticut tem Dilophosaurus como seu dinossauro oficial, mas nunca um osso do animal foi encontrado lá. O título vem das pegadas do icnogênero Eubrontes, enormes rastros de três dedos descobertos em abundância na região e atribuídos a terópodes do porte de Dilophosaurus que viviam no Jurássico Inferior. Connecticut tem mais de 2.000 dessas pegadas preservadas no Dinosaur State Park.