Dinos 101

Explore cada espécie descoberta pela paleontologia: onde viveu, quais ossos foram encontrados, e como nossa compreensão evoluiu ao longo do tempo.

101
Espécies curadas
3
Períodos
22
Países
6
Espécies brasileiras
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Chasmosaurus belli

CA · 76.5–75 Ma

Chasmossauro

Chasmosaurus belli

"Lagarto de abertura de Bell"

Chasmosaurus belli é o ceratopsídeo protótipo da subfamília Chasmosaurinae, que leva seu nome. Viveu no Campaniano tardio do Cretáceo, há aproximadamente 76,5 a 75 milhões de anos, em Alberta, Canadá, e é um dos primeiros grandes ceratopsídeos descritos pela ciência. Sua característica mais marcante é a frila parieto-esquamosal extraordinariamente grande em relação ao crânio, com duas grandes aberturas ovais (as fenestrae parietais) que reduziam substancialmente o peso da estrutura. O nome do gênero Chasmosaurus refere-se exatamente a essas aberturas: 'khasma' em grego significa abertura ou bocejo. Esta frila longa, que podia ultrapassar 60% do comprimento total do crânio, é a assinatura morfológica de toda a subfamília. O animal foi descrito originalmente por Lawrence Lambe em 1902 com base em material fragmentário da Formação Dinosaur Park, mas a espécie só foi estabelecida definitivamente por Lambe em 1914. Estudos subsequentes de Brown e Schlaikjer (1940) e Dodson (1990, 1996) refinaram substancialmente a anatomia e sistemática do táxon. O Chasmosaurus belli é distinguido de outras espécies do gênero (como C. russelli e C. irvinensis, hoje reclassificado como Vagaceratops) principalmente pelas dimensões e proporções da frila e pelos chifres faciais relativamente curtos. O chifre nasal é baixo e comprimido lateralmente, enquanto os chifres supraorbitais variam de curtos a moderados. Em 2010, um espécime juvenil de Chasmosaurus belli foi descoberto por Brian Campione no Dinosaur Provincial Park e estudado por Phillip Bell e colaboradores. A importância deste fóssil vai além da raridade de juvenis em ceratopsídeos: preservou impressões de pele momiificada em diferentes regiões do corpo, incluindo escamas hexagonais grandes nos flancos, escamas menores no pescoço e face, e escamas organizadas em padrão diferenciado ao redor do olho. Análises de pigmentação preservada através de microscopia eletrônica de varredura revelaram melanosomas que sugerem pigmentação contrastante, possivelmente com padrão de contra-sombreamento (dorso escuro, ventre claro), o que seria a primeira evidência direta de coloração em um ceratopsídeo. A posição de Chasmosaurus belli como táxon fundador de Chasmosaurinae o torna fundamental para entender a evolução de toda a subfamília. Análises filogenéticas modernas como as de Longrich (2010), Farke (2011) e Ryan et al. (2012) consistentemente posicionam C. belli como um dos chasmossauríneos mais basais, a partir do qual radiam as formas mais derivadas com frila ainda mais elaborada, incluindo Pentaceratops, Anchiceratops, Torosaurus e Triceratops. O registro fossilífero de Chasmosaurus belli na Formação Dinosaur Park é um dos mais ricos de qualquer ceratopsídeo, com dezenas de espécimes coletados ao longo de mais de um século de escavações sistemáticas.

Cretáceo Herbívoro 4.9m
Confuciusornis sanctus

CN · 125–120 Ma

Confuciúsórnis

Confuciusornis sanctus

"Pássaro sagrado de Confúcio"

Confuciusornis sanctus é a ave mesozoica mais abundante no registro fóssil mundial: centenas de espécimes, muitos exquisitamente preservados com penas, têm sido retirados das formações Yixian e Jiufotang de Liaoning, no nordeste da China. Esta abundância sem paralelo tornou Confuciusornis o táxon de ave extinta mais estudado do mundo, capaz de fornecer dados sobre morfologia, ontogenia, coloração, paleoecologia e comportamento social que simplesmente não são acessíveis para aves mais raras. Viveu durante o Barremiano ao Aptiano do Cretáceo inicial, há aproximadamente 125 a 120 milhões de anos, e representa uma das mais importantes inovações morfológicas da história das aves: foi o primeiro pássaro mesozoico com bico córneo verdadeiro sem dentes e com o osso da cauda fusionado em pigóstilo. A morfologia de Confuciusornis combina características primitivas e derivadas de forma notável. De um lado, os membros anteriores retêm três dedos com garras funcionais, e o crânio conserva algumas características esqueléticas primitivas em relação às aves modernas. De outro, a ausência completa de dentes, o bico córneo e o pigóstilo são inovações que hoje conhecemos principalmente em aves modernas, tornando Confuciusornis muito mais parecido externamente com um pássaro moderno do que Archaeopteryx ou outros contemporâneos. A cauda, curta em função do pigóstilo, acomodava nas formas com cauda longa um par de penas retrizes muito longas e estreitas cuja função era provavelmente de exibição social. A presença ou ausência dessas penas de cauda em espécimes diferentes foi historicamente interpretada como dimorfismo sexual, mas análises recentes com espécimes ontogenéticamente comparáveis questionam essa interpretação simples. O voo de Confuciusornis é considerado verdadeiramente ativo, não apenas planado: a morfologia do esterno, com carena bem desenvolvida para inserção de musculatura de voo, e as proporções das asas sugerem capacidade de voo propulsado sustentado. Contudo, análises biomecânicas indicam que o padrão de voo seria diferente do das aves modernas: a articulação do ombro, a posição da clavícula e as proporções relativas de úmero e ulna sugerem um estilo de voo de baixa eficiência aerodinâmica comparado às aves neorniteanas. Estudos de histologia óssea mostram que Confuciusornis tinha taxas de crescimento mais lentas do que aves modernas de tamanho comparável, atingindo maturidade esquelética em um ou dois anos, mais próximo de répteis do que de aves modernas. A dieta de Confuciusornis é inferida da morfologia do bico e de fósseis excepcionais com conteúdo gastrointestinal preservado. Alguns espécimes apresentam escamas de peixes no interior do corpo, indicando piscivoria ocasional. O bico, relativamente robusto para o tamanho do animal, é consistente com onivoria: sementes, insetos e pequenos vertebrados. Espécimes excepcionais da Formação Jiufotang mostram impressões de penas em extraordinário detalhe, permitindo a identificação de padrões de coloração por análise de melanossomas: machos de Confuciusornis apresentavam coloração preta iridescente nas asas e dorso, enquanto algumas penas apresentavam padrões mais complexos.

Cretáceo Onívoro 0.5m
Dracorex hogwartsia

US · 66–66 Ma

Dracorex

Dracorex hogwartsia

"Rei-dragão de Hogwarts"

O Dracorex hogwartsia é um dos dinossauros com história mais peculiar na paleontologia: foi nomeado por crianças, em homenagem a uma escola fictícia de bruxaria, e seu status como espécie válida é um dos debates taxonômicos mais acesos do final do Cretáceo. Descrito em 2006 por Robert Bakker e colaboradores com base em um crânio quase completo descoberto no Hell Creek da Dakota do Sul por um grupo de caçadores amadores, o animal apresentava uma morfologia craniana radicalmente diferente dos outros pachicefalossaurídeos conhecidos: o crânio era longo, baixo e plano, sem qualquer vestígio de cúpula óssea, mas decorado com uma série impressionante de chifres e nódulos ao longo da região frontoparietal e temporal. O resultado visual é, de fato, notavelmente similar às descrições medievais de dragões, o que inspirou os doadores do espécime, crianças do Children's Museum of Indianapolis, a propor o nome ao paleontólogo. A principal controvérsia científica em torno do Dracorex foi levantada em 2009, quando Jack Horner e Mark Goodwin publicaram uma análise histológica detalhada do crânio. Ao examinar a microestrutura do osso frontoparetal, encontraram tecido ósseo imaturo (fibrolamelado, com vasculatura abundante e sem remodelação completa) que é característico de indivíduos jovens, não de adultos com crescimento ósseo concluído. A hipótese de Horner e Goodwin é que Dracorex hogwartsia não é uma espécie distinta, mas sim um juvenil de Pachycephalosaurus wyomingensis: o crânio plano com chifres seria o estado inicial, e a cúpula se formaria progressivamente ao longo do crescimento, similar ao desenvolvimento de chifres em ovinos. Essa interpretação unificaria também Stygimoloch spinifer como um adolescente de Pachycephalosaurus, consolidando três nomes em um único táxon. A proposta de sinonímia, embora amplamente aceita por muitos especialistas, permanece formalmente controversa. Outros pesquisadores, como Robert Sullivan (2006) e David Evans e colaboradores (2013), argumentam que as diferenças morfológicas entre os crânios são demasiado pronunciadas para serem explicadas apenas pela ontogenia, e que Dracorex pode representar uma linhagem distinta de pachicefalossaurídeos de crânio plano que viveu em simpatria com Pachycephalosaurus. A questão é complicada pela raridade de espécimes: apenas um crânio de Dracorex é conhecido com certeza, tornando impossível estabelecer séries ontogenéticas completas. Independente da resolução taxonômica, o crânio de Dracorex é um dos mais extraordinários conhecidos entre os dinossauros ornitísquios. Os tubérculos, espinhos e nódulos que cobrem a superfície craniana não têm paralelo em nenhum outro pachicefalossaurídeo, e sua função continua debatida: podem ter servido para reconhecimento intraespecífico, termorregulação superficial, exibição sexual ou defesa passiva. A preservação do espécime, com detalhes da superfície craniana incomumente bem conservados, fez do Dracorex um dos dinossauros mais estudados e representados artisticamente dos últimos vinte anos.

Cretáceo Herbívoro 2.4m
Euoplocephalus tutus

CA · 76.5–66 Ma

Euoplocéfalo

Euoplocephalus tutus

"Cabeça bem blindada e protegida"

Euoplocephalus tutus é o anquilossaurídeo mais bem documentado da história da paleontologia: mais de 40 espécimes foram coletados desde a descrição original em 1902, incluindo vários crânios completos, armaduras dérmicas em associação e ao menos uma cauda completa com maça óssea preservada. Viveu no Campaniano tardio do Cretáceo, há aproximadamente 76,5 a 66 milhões de anos, na América do Norte, com registros em Alberta (Canadá) e possivelmente Montana (EUA). É o único anquilossaurídeo para o qual existe suficiente material para caracterizar a variação morfológica individual e ontogenética dentro da espécie com algum grau de confiança. O animal possuía armadura dérmica extensiva composta por osteodermos de múltiplos tipos: placas grandes e planas nas costas, cones ou espinhos ao longo dos flancos, escamas menores preenchendo os espaços entre as maiores, e uma cobertura de pele endurecida sobre o crânio. Notavelmente, Euoplocephalus possuía pálpebras ossificadas, uma adaptação única que protegia os olhos de ataques predatórios. A cauda terminava em uma maça óssea (osteodermo de cauda fundido, o 'taco de golfe') cujo tamanho e robustez foram analisados por Arbour (2009) como suficientes para gerar força de impacto capaz de fraturar ossos de grandes predadores como Tyrannosaurus e Gorgosaurus. Em termos de sistemática, a história de Euoplocephalus é complexa. Muitos espécimes de anquilossaurídeos de Alberta foram originalmente referidos a E. tutus com base na suposição de que haveria apenas uma espécie de anquilossaurídeo em cada formação. Pesquisas mais recentes de Arbour e Currie (2013, 2015) reavaliaram esse material e concluíram que vários espécimes anteriormente referidos a E. tutus pertencem a gêneros e espécies distintos (como Scolosaurus cutleri, Anodontosaurus lambei e Dyoplosaurus acutosquameus). Após essa revisão, o número de espécimes verdadeiramente referíveis a E. tutus diminuiu, mas o táxon permanece como o anquilossaurídeo mais bem caracterizado do Campaniano da América do Norte. A análise biomecânica da maça caudal de Arbour (2009) é um dos resultados mais citados na paleobiologia de anquilossaurídeos: usando modelos de mecânica estrutural e comparações com martelos modernos, Arbour demonstrou que a maça de E. tutus podia gerar forças de impacto de 2-6 kN, suficientes para fraturar costelas ou tíbias de Tyrannosaurus ou Gorgosaurus. A musculatura da cauda, inferida a partir de processos transversos bem desenvolvidos, era capaz de mover a maça em arcos laterais de alta velocidade. Esta análise mudou a compreensão científica da maça caudal de um possível ornamento de exibição para uma arma defensiva ativa e eficaz.

Cretáceo Herbívoro 6m
Giraffatitan brancai

TZ · 154–150 Ma

Girafatitã

Giraffatitan brancai

"Titã-girafa"

Giraffatitan brancai foi um sauropodo braquiossaurídeo gigante que viveu durante o Kimmeridgiano ao Titoniano do Jurássico tardio, há aproximadamente 154 a 150 milhões de anos, no que hoje é a Tanzânia. Com 26 metros de comprimento e massa corporal estimada entre 35.000 e 40.000 kg, era um dos maiores animais terrestres de seu tempo. A morfologia de Giraffatitan é caracterizada por membros anteriores significativamente mais longos do que os posteriores, resultando em um dorso inclinado para a frente e em um pescoço extremamente longo e alto que permitia ao animal alcançar a vegetação das copas de árvores da floresta jurássica da África oriental. Ao contrário de muitos sauropodos que posicionavam o pescoço horizontalmente, as proporções esqueléticas de Giraffatitan indicam que o pescoço era erguido em ângulo acentuado, conferindo ao animal uma silhueta vertical que recorda a de uma girafa, daí o nome. A separação de Giraffatitan de Brachiosaurus como gênero distinto foi proposta por Paul (1988) e confirmada por Taylor (2009) após análise cladística detalhada. As principais diferenças anatômicas incluem a configuração do crânio, mais alto e com crista nasofrontal mais proeminente em Giraffatitan, e proporções das vértebras cervicais, mais alongadas e com menor índice de solidez em Giraffatitan do que em Brachiosaurus altithorax da América do Norte. A validade de Giraffatitan como gênero separado é atualmente consenso na comunidade paleontológica, embora alguns autores tenham sugerido que ambos poderiam pertencer ao mesmo gênero com status de subgênero. O material fóssil de Giraffatitan brancai é excepcionalmente rico para um sauropodo gigante: as expedições alemãs à Tanzânia entre 1909 e 1913, lideradas por Werner Janensch, recuperaram restos de dezenas de indivíduos, incluindo materiais de pelo menos cinco indivíduos parcialmente articulados. O espécime composto HMN SII, montado no Museum für Naturkunde de Berlim, é o esqueleto de dinossauro montado mais alto do mundo, com 13,27 metros de altura. A operação logística das expedições Tendaguru foi uma das maiores empreitadas paleontológicas da história: mais de 250 trabalhadores africanos transportaram centenas de toneladas de material fossilizado a mais de 60 quilômetros do litoral da África oriental sob condições extremamente adversas. A paleoecologia de Giraffatitan está intimamente ligada à Formação Tendaguru, que preserva evidências de um paleoambiente costeiro tropical com florestas densas de coníferas e cicadáceas alternando com zonas de maré. A fauna de Tendaguru tem notável semelhança com a fauna da Formação Morrison da América do Norte, embora as duas formações sejam separadas pelo Oceano Atlântico, o que levou paleontólogos a propor conexões biogeográficas transatlânticas durante o Jurássico tardio. Giraffatitan coexistiu com outros grandes sauropodos como Janenschia e Tendaguria, além de terópodes como Elaphrosaurus e estegossaurídeos como Kentrosaurus.

Jurássico Herbívoro 26m
Heterodontosaurus tucki

ZA · 201–196 Ma

Heterodontossauro

Heterodontosaurus tucki

"Lagarto de dentes diferentes de Tuck"

O Heterodontosaurus tucki é um dos ornitísquios mais primitivos conhecidos e, certamente, o mais anatomicamente surpreendente de seu tempo. Viveu no início do Jurássico, há aproximadamente 201 a 196 milhões de anos, nas planícies semiáridas do que hoje é a África do Sul, na Formação Upper Elliot. Com apenas 1,2 metro de comprimento e menos de 2 kg, era um animal bípede ágil, de membros posteriores longos e membros anteriores relativamente robustos, que provavelmente usava as mãos para manipular vegetação ou pequenas presas. Seu esqueleto é extraordinariamente bem preservado, com o crânio SAM-PK-K1332 sendo um dos mais completos entre os dinossauros primitivos do Triássico-Jurássico. A característica que define o gênero e lhe confere o nome é a dentição radicalmente heterogênea: ao contrário da grande maioria dos dinossauros herbívoros, o Heterodontosaurus apresentava três tipos distintos de dentes. Na parte frontal da boca superior havia pequenos dentes incisivos para cortar vegetação, seguidos de grandes dentes semelhantes a caninos ou presas nos cantos da maxila e dentário, e dentes laterais mais altos e comprimidos com bordas de trituração para processar alimento vegetal. Essa combinação de três morfologias dentárias distintas em um único animal é única entre os Dinosauria e gerou décadas de debate sobre função e dieta. A questão das "presas" é o ponto mais controverso da biologia do Heterodontosaurus. Crompton e Charig, ao descreverem a espécie em 1962, sugeriram uso onívoro. Estudos posteriores, especialmente os de Santa Luca (1980) e Sereno (2012), levantaram a hipótese de dimorfismo sexual: as presas seriam exclusivas de machos e teriam função de exibição ou combate intraespecífico, analogamente ao que se vê em cervídeos e suínos modernos. Norman et al. (2011), ao reavaliar o material, concluíram que os dentes caninos não estavam relacionados a carnivoria, mas sim a comportamento social. Porro et al. (2011) realizaram análise biomecânica da mandíbula e confirmaram que a estrutura era altamente adaptada ao processamento de material vegetal duro. O Heterodontosaurus também é notável por sua filogenia. Por décadas foi colocado na base dos ornitópodos, mas análises modernas o posicionam na base dos Ornithischia ou como membro de uma linhagem irmã dos Genasauria. Isso o torna um janela valiosa para entender os estágios iniciais da evolução dos dinossauros ornitísquios, antes da grande diversificação que produziu hadrosauro, ceratópsios, anquilossauros e estegossauros. Além disso, possíveis evidências de queratina nos dentes anteriores sugerem um rostro córneo parcial, como em muitas aves e tartarugas modernas.

Jurássico Onívoro 1.2m
Kosmoceratops richardsoni

US · 76.4–75.5 Ma

Kosmoceratops

Kosmoceratops richardsoni

"Rosto com chifres ornamentados de Richardson"

Kosmoceratops richardsoni é o ceratopsiano com a ornamentação craniana mais elaborada já documentada na história dos dinossauros: um total de 15 chifres e estruturas ósseas sobre o crânio, incluindo um grande chifre nasal recurvado para baixo, dois chifres supraorbitais sobre os olhos, dois chifres jugais, dois chifres epijugais voltados lateralmente e dez processos apicais curvados para frente na frila parieto-esquamosal. Nenhum outro dinossauro ou vertebrado fóssil é conhecido com ornamentação craniana tão densa e diversificada. O animal viveu há aproximadamente 76 a 75,5 milhões de anos no Campaniano tardio do Cretáceo, na região correspondente ao atual estado de Utah, nos Estados Unidos. O Kosmoceratops pertencia à fauna da porção sul da ilha de Laramidia, uma grande ilha continental que existiu durante o Cretáceo tardio quando o Mar Interior Ocidental dividia a América do Norte em duas massas de terra. Curiosamente, o sul e o norte de Laramidia eram separados por um mar raso interno e apresentavam faunas de dinossauros completamente distintas: enquanto o sul (onde vivia Kosmoceratops) tinha ceratopsíanos de frila curta com elaborada ornamentação, o norte produzia formas com frila mais longa. Essa diferença faunística geográfica foi um dos argumentos centrais apresentados por Sampson et al. (2010) no artigo que descreveu a espécie. O holótipo e os espécimes referidos foram coletados na Formação Kaiparowits, no sul de Utah, uma das unidades geológicas mais produtivas do Cretáceo tardio norte-americano. A formação data do Campaniano tardio (~76,6 a 74,5 Ma) e preserva um ecossistema subtropical rico com múltiplas espécies de dinossauros, crocodilianos, tartarugas, lagartos, mamíferos e anfíbios. Os fósseis de Kosmoceratops foram coletados pela Utah Museum of Natural History entre 2004 e 2006 em sítios do Grand Staircase-Escalante National Monument. A função das extravagantes ornamentações cranianas é objeto de debate científico contínuo. Sampson et al. (2010) argumentam que as estruturas eram primariamente para exibição intraespecífica e reconhecimento de espécie, análogas aos chifres de antílopes e cervídeos modernos. O fato de que os chifres supraorbitais e os processos da frila estão voltados lateralmente e para frente, em vez de para a frente em posição de combate, apoia a hipótese de exibição sobre a de defesa. Análises biomecânicas posteriores de Mallon e Anderson (2013) sugerem que ceratopsídeos usavam os chifres em combates intraespecíficos ritualizados, não em defesa contra predadores de grande porte.

Cretáceo Herbívoro 4.5m
Mussaurus patagonicus

AR · 221–205 Ma

Mussauro

Mussaurus patagonicus

"Lagarto-rato da Patagônia"

O Mussaurus patagonicus é um sauropodomorfos do Triássico tardio que protagoniza uma das histórias mais inusitadas da paleontologia: foi batizado de 'lagarto-rato' porque os primeiros espécimes descobertos eram filhotes minúsculos de apenas 20 centímetros de comprimento, cuja postura cabia na palma de uma mão. Quando José Bonaparte e Martín Vince descreveram a espécie em 1979, com base nesses filhotes da Formação Los Colorados da Patagônia argentina, imaginavam um animal adulto de tamanho modesto. Décadas depois, quando espécimes adultos foram encontrados e descritos em detalhe, revelou-se que o Mussaurus crescia até 6 metros de comprimento e 1,5 tonelada: um dos maiores animais terrestres do Triássico tardio da América do Sul. Essa discrepância entre filhotes e adultos é biologicamente significativa. Ela demonstra que os sauropodomorfos basais passavam por alterações ontogenéticas dramáticas não apenas em tamanho, mas também em postura locomotora. Filhotes de Mussaurus eram bípedes facultativos, com membros anteriores e posteriores proporcionalmente similares, enquanto adultos tinham membros anteriores mais robustos e provavelmente transitavam para postura quadrúpede ao atingir grandes tamanhos. Esse padrão ecoa o que mais tarde se tornou obrigatório nos gigantescos sauropodes do Jurássico e Cretáceo. A publicação mais impactante sobre Mussaurus nos últimos anos foi o estudo de Otero et al. de 2021, publicado na Scientific Reports. A análise de múltiplos ninhos com ovos, filhotes neonatos e juvenis agrupados espacialmente revelou evidências sólidas de comportamento gregário: os animais se reuniam em grupos por faixa etária, sugerindo alguma forma de cuidado parental ou comportamento social estruturado. Ovos de Mussaurus foram preservados em ninhos comunais a uma profundidade que sugere que eram enterrados para incubação, similar ao comportamento de crocodilos e algumas aves atuais. Esse achado empurra a origem do comportamento gregário nos sauropodomorfos para o Triássico, mais de 50 milhões de anos antes do que se imaginava. Filogeneticamente, o Mussaurus ocupa uma posição-chave na transição entre sauropodomorfos basais solitários e os grandes sauropodes gregários do Mesozoico. As análises mais recentes o posicionam dentro da Massopoda, próximo da base do clado que dará origem aos verdadeiros Sauropoda. Seu corpo ainda preserva características plesiomórficas como pescoço moderadamente longo, membros posteriores mais robustos que os anteriores e dentes foliformes simples, mas já apresenta características derivadas como vértebras cervicais alongadas e fórmula do tarso sauropodoide. O registro fóssil excepcional da Formação Los Colorados, com múltiplas faixas etárias preservadas juntas, faz do Mussaurus o sauropodomorfos triássico mais importante para estudos de crescimento, ontogenia e comportamento social.

Triássico Herbívoro 6m
Tenontosaurus tilletti

US · 115–108 Ma

Tenontossauro

Tenontosaurus tilletti

"Lagarto-tendão de Tillett"

Tenontosaurus tilletti era um ornitópode iguanodontiano de porte médio que viveu durante o Aptiano-Albiano do Cretáceo inicial, há aproximadamente 115 a 108 milhões de anos, no que hoje corresponde ao oeste dos Estados Unidos. Com comprimento de 6 a 7,5 metros e massa corporal estimada entre 700 e 1.000 kg, era um dos herbívoros mais comuns e abundantes de seu tempo e região. O gênero é morfologicamente distinto de outros ornitópodes pelo rabo extraordinariamente longo e robusto, que nos adultos podia representar mais da metade do comprimento total do animal. As vértebras caudais são reforçadas por tendões ossificados, daí o nome 'lagarto-tendão', que conferiam rigidez ao rabo e possivelmente funcionavam como contrapeso para manter o equilíbrio durante a locomoção bípede ou quadrúpede. Tenontosaurus era capaz de se locomover tanto em duas quanto em quatro patas, dependendo da velocidade e do terreno. A importância paleontológica de Tenontosaurus vai muito além de sua morfologia intrínseca: o animal é o centro do debate mais longo e influente da paleontologia sobre comportamento predatório cooperativo em dinossauros. Quando John Ostrom descreveu Deinonychus antirrhopus em 1969 e 1970, ele baseou grande parte de sua argumentação sobre caça em grupo na associação espacial recorrente de múltiplos dentes de Deinonychus com carcaças de Tenontosaurus na Formação Cloverly. Ostrom inferiu que grupos de Deinonychus atacavam cooperativamente indivíduos muito maiores de Tenontosaurus, de modo similar ao comportamento de leões modernos. Esta hipótese tornou-se enormemente influente e inspirou diretamente a representação de Velociraptores como caçadores cooperativos em Jurassic Park (1993). Entretanto, análises subsequentes questionaram a interpretação de caça cooperativa. Roach e Brinkman (2007) argumentaram que a associação de Deinonychus com carcaças de Tenontosaurus é mais consistente com comportamento de carniça competitiva, como o observado em dragões-de-komodo modernos que se alimentam da mesma carcaça sem cooperação verdadeira e frequentemente se atacam entre si durante o banquete. A evidência de múltiplos Deinonychus mortos nas mesmas localidades que Tenontosaurus sugeriria que o Tenontosaurus era capaz de se defender ativamente, matando alguns de seus atacantes. Este debate sobre caça cooperativa versus alimentação competitiva em Deinonychus, centrado nas carcaças de Tenontosaurus, permanece sem resolução definitiva e continua sendo um dos problemas mais estimulantes do comportamento de dinossauros. Tenontosaurus é também notável pela variedade de espécimes disponíveis: o gênero é um dos mais abundantemente preservados da Formação Cloverly e da Formação Antlers correlata, com dezenas de espécimes representando diferentes estágios ontogenéticos desde filhotes até adultos muito grandes. Esta riqueza de material permitiu estudos detalhados de crescimento, ontogenia e variação intraespecífica, tornando Tenontosaurus um dos ornitópodes mais bem compreendidos do Cretáceo inicial norte-americano.

Cretáceo Herbívoro 6.5m
Yi qi

CN · 163–159 Ma

Yi qi

Yi qi

"Asas estranhas"

Yi qi (pronunciado aproximadamente 'ee chee') era um dinossauro escansoriopterigídeo de tamanho diminuto que viveu no Jurássico médio a tardio, durante o Oxfordiano, há aproximadamente 163 a 159 milhões de anos, na região do atual Hebei, norte da China. Com apenas 0,6 metro de comprimento e massa corporal estimada em 380 gramas, era menor do que a maioria dos pombos modernos. A característica mais extraordinária de Yi qi é o bastão ósseo estiliformo que emergia do pulso: um elemento esquelético longo e pontiagudo que, em conjunto com a membrana de pele (patagio), formava uma asa de morfologia completamente diferente de qualquer outra ave ou dinossauro com capacidade de voo conhecido. Essa combinação de membrana alar sustentada por um bastão ósseo acessório é única entre os Dinosauria e encontra paralelo funcional apenas nos morcegos e nas esquilos-voadores entre os vertebrados modernos. O espécime holótipo (STM 31-2) foi preservado com impressões de penas contorno no corpo e plumas filamentosas, além de porções da membrana alar carbonificada visível ao redor dos membros anteriores. A análise histológica das penas e dos ossos indica que o animal não havia atingido plena maturidade esquelética no momento da morte, o que torna as estimativas de tamanho adulto ligeiramente incertas. Yi qi possuía garras longas e recurvadas nos pés, morfologia consistente com hábitos arborícolas, e dentes simples e cônicos, indicando dieta insetívora ou carnívora generalista. O crânio é relativamente grande em proporção ao corpo, com órbitas oculares amplas, sugerindo visão aguçada em ambiente de dossel florestal. A filogenia de Yi qi dentro dos Scansoriopterygidae é bem suportada, mas a posição desse clado dentro de Coelurosauria permanece debatida: análises recentes alternam entre posicioná-los como membros basais de Pennaraptora ou como um ramo independente de terópodes que desenvolveu voo planado de forma convergente e independente das aves modernas. O patagio de Yi qi, caso tenha permitido voo ativo, representaria uma terceira origem independente do voo entre os dinossauros emplumados do Jurássico, além das linhas que levaram às aves modernas (Avialae) e possivelmente ao planado de Microraptor. Alternativamente, análises aerodinâmicas sugerem que a morfologia da asa era mais adequada ao planado descendente a partir de poleiros elevados do que ao bater de asas sustentado. A descoberta foi anunciada em abril de 2015 na revista Nature por Xu Xing e colaboradores, tornando-se imediatamente um dos achados paleontológicos mais impactantes da década. O nome Yi qi é o nome científico mais curto já dado a qualquer dinossauro: apenas dois caracteres chineses, 奇翼, significando 'asas estranhas', escolha que reflete com precisão a morfologia sem paralelo desse animal. O fóssil foi adquirido de um agricultor chamado Wang Jianhua, que o descobriu em 2007 perto de Mutoudeng, Hebei, e hoje está depositado na coleção do Shandong Tianyu Museum of Nature.

Jurássico Carnívoro 0.6m

Outros Animais do Mesozoico

Não são dinossauros, mas dominaram os oceanos, o ar e parte dos continentes no mesmo período.

Hybodus hauffianus

Tubarão · Marinho

Hybodus hauffianus

"Tubarao giboso de Hauff"

O tubarão mais bem-sucedido do Mesozoico. Tinha dois tipos de dentes: pontiagudos para peixes e achatados para crustáceos, versatilidade rara. Conviveu com ictiossauros, plesiosauros e mosassauros.

Triássico–Cretáceo 2.5m Marinho Repr. Tubarões mesozoicos
Cretoxyrhina mantelli

Tubarão · Marinho

Cretoxyrhina mantelli

"Dente afiado do Cretaceo de Mantell"

Um dos maiores tubarões do Cretáceo. Dentes lisos sem serrilhados, alta velocidade, morfologia similar ao tubarão-branco atual. Fósseis mostram vértebras de mosassauros com marcas de seus dentes.

Cretáceo 7m Marinho Repr. Tubarões mesozoicos
Squalicorax falcatus

Tubarão · Marinho

Squalicorax falcatus

"Tubarao corvo falcado"

Tubarão com dentes fortemente serrilhados, parecidos com os do tubarão-tigre atual. Evidências fósseis mostram que se alimentava de carcaças de dinossauros que caíam em rios e mares.

Cretáceo 5m Marinho Repr. Tubarões mesozoicos
Ophthalmosaurus icenicus

Ictiossauro · Marinho

Ophthalmosaurus icenicus

"Lagarto dos olhos"

Ictiossauro com os maiores olhos proporcionais de qualquer vertebrado. Convergência extraordinária com golfinhos, mas era réptil que dava à luz filhotes vivos no mar.

Jurássico 6m Marinho Repr. Ictiossauros
Elasmosaurus platyurus

Plesiosaurio · Marinho

Elasmosaurus platyurus

"Reptil de placa fina"

Tinha ~14m de pescoço com 72 vértebras cervicais. Nadava com quatro grandes nadadeiras numa espécie de "voo subaquático". Um dos maiores plesiosauros conhecidos.

Cretáceo 14m Marinho Repr. Plesiosauros
Kronossauro

Pliosaurio · Marinho

Kronossauro

"Reptil de Kronos"

Pliosaurio com crânio de 2,7m. Grupo-irmão dos plesiosauros, mas com pescoço curto e cabeça enorme. Predador de topo nos oceanos do Cretáceo.

Cretáceo 10m Marinho Repr. Pliosauros
Mosasaurus hoffmannii

Mosassauro · Marinho

Mosasaurus hoffmannii

"Lagarto do Rio Mosa"

O maior mosassauro conhecido, 17 metros. Parente de monitores e cobras. Primeiro fóssil de réptil marinho gigante descrito pela ciência (1764). Mandíbula dupla articulada como as cobras.

Cretáceo 17m Marinho Repr. Mosassauros
Pteranodon longiceps

Pterossauro · Aéreo

Pteranodon longiceps

"Asa desdentada de cabeça longa"

Não era dinossauro, era grupo-irmão. Tinham pelo (pycnofibers) e eram provavelmente endotérmicos. Envergadura de 6m, um dos maiores pterossauros conhecidos.

Cretáceo 6m Aéreo Repr. Pterossauros
Postosuchus kirkpatricki

Arcossauro · Terrestre

Postosuchus kirkpatricki

"Crocodilo de Post, Texas"

Enquanto os dinossauros engatinhavam, os rauissuquídeos eram os predadores de topo do Triássico. Sua extinção abriu espaço para os grandes terópodes.

Triássico 5m Terrestre Repr. Rauissuquídeos
Smilosuchus gregorii

Arcossauro · Terrestre

Smilosuchus gregorii

"Crocodilo-faca de Gregory"

Convergência perfeita com os crocodilos atuais, mas sem parentesco próximo. Diferença-chave: narinas quase entre os olhos.

Triássico 6m Terrestre Repr. Fitossauros
Dakosaurus maximus

Crocodilomorfo · Marinho

Dakosaurus maximus

"Lagarto-mordedor maximo"

Crocodiliforme marinho com crânio curto e alto, adaptado a capturar presas grandes. No Mesozoico, os crocodiliformes eram muito mais diversos que hoje.

Jurássico–Cretáceo 5m Marinho Repr. Crocodiliformes marinhos
Lystrosaurus murrayi

Sinapsídeo · Terrestre

Lystrosaurus murrayi

"Lagarto pa de Murray"

Sinapsídeo com bico córneo e presas. Dominou o início do Triássico após sobreviver à Grande Extinção do Permiano. Conviveu brevemente com os primeiros dinossauros.

Triássico 1m Terrestre Repr. Dicinodontes
Repenomamus robustus

Mamífero · Terrestre

Repenomamus robustus

"Mamifero reptil robusto"

O maior mamífero do Mesozoico. Fóssil encontrado com filhote de dinossauro no estômago, provando que mamíferos predavam dinossauros.

Cretáceo 0.5m Terrestre Repr. Mamíferos mesozoicos