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Elasmosaurus platyurus
Cretáceo Piscívoro

Elassossauro

Elasmosaurus platyurus

"Réptil de placa fina de cauda achatada"

Período
Cretáceo · Campaniano
Viveu
80.5–77 Ma
Comprimento
até 14 m
Peso estimado
2.2 t
País de origem
United States
Descrito em
1868 por Edward Drinker Cope

Elasmosaurus platyurus foi um dos maiores e mais característicos plesiosaurídeos do Cretáceo Superior, famoso pelo pescoço extraordinariamente longo que representava mais da metade de seu comprimento total de cerca de 14 metros. Com 71 vértebras cervicais, ostenta o maior número de vértebras do pescoço de qualquer vertebrado conhecido. Não era um dinossauro, mas um réptil marinho do grupo Sauropterygia. Vivia no Mar Interior Ocidental que cobria o centro da América do Norte, alimentando-se de peixes e cefalópodes com seus dentes afiados. Tornou-se famoso por um erro histórico: quando Edward Drinker Cope o descreveu em 1868, montou o esqueleto com o crânio na ponta errada, posicionando-o na extremidade da cauda. O erro só foi corrigido em 1870, após a intervenção de Joseph Leidy.

O holótipo de Elasmosaurus platyurus foi coletado no Membro Sharon Springs da Formação Pierre Shale, no Campaniano inferior (~80 Ma) do Logan County, Kansas. A Formação Pierre Shale é uma sequência de folhelhos marinhos depositados no fundo do Mar Interior Ocidental, rico em fósseis de répteis marinhos (mosassauros, plesiosauros), peixes, ammonitas e invertebrados. A Smoky Hill Chalk, formação equivalente a oeste, preservou fauna similar incluindo Styxosaurus, Tylosaurus, Platecarpus e Pteranodon.

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Habitat

Elasmosaurus platyurus habitava o Mar Interior Ocidental, um mar epicontinental raso (50-150 m) que cruzava a América do Norte durante o Campaniano. As águas eram quentes e produtivas, com alta diversidade de peixes, cefalópodes e outros répteis marinhos. O ambiente era semelhante a um mar tropical moderno, com salinidade normal e temperaturas de superfície acima de 25°C. A formação Pierre Shale, onde o holótipo foi encontrado, representa depósitos de mar aberto afastados da costa.

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Alimentação

Elasmosaurus era piscívoro, alimentando-se predominantemente de peixes teleósteos, lulas e outros cefalópodes disponíveis no Mar Interior Ocidental. Os dentes afiados e pontiagudos eram ideais para capturar presas escorregadias. O longo pescoço não era usado para atacar como uma cobra, mas provavelmente para aproximar-se furtivamente de cardumes a partir de baixo ou para varrer a água em busca de presas. Gastrólitos encontrados em parentes próximos indicam que a espécie ingeria pedras polidas, possivelmente como lastre ou para trituração.

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Comportamento e sentidos

As evidências comportamentais de Elasmosaurus são escassas, mas dados de parentes próximos e análises biomecânicas fornecem algumas inferências. A rigidez do pescoço sugere natação com as nadadeiras, não ondulação corporal. Os gastrólitos indicam comportamento intencional de ingestão de rochas. Não há evidências de comportamento gregário ou de cuidado parental. A forma do corpo sugere um nadador eficiente de mar aberto, provavelmente percorrendo grandes distâncias em busca de cardumes de peixes.

Fisiologia e crescimento

Elasmosaurus era um réptil de sangue quente (endotérmico ou mesotérmico), conforme sugerido por análises de isótopos de oxigênio em plesiosauros do mesmo grupo e pela necessidade de sustentar grandes massas musculares nas quatro nadadeiras. O crescimento era determinado, com os animais atingindo maturidade sexual possivelmente entre 10 e 15 anos e comprimentos finais de até 14 metros. A histologia óssea de parentes próximos indica taxas de crescimento rápido na fase jovem, desacelerando com a maturidade.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Campaniano (~80.5–77 Ma), Elasmosaurus platyurus habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 55%

O holótipo ANSP 10081, coletado em 1867 por Theophilus H. Turner no Kansas, é o único espécime definitivamente atribuído a E. platyurus. Preserva a coluna vertebral quase completa com 72 vértebras cervicais, dorsal, sacral e caudal, além de fragmentos cranianos, costelas e elementos da cintura escapular e pélvica. As nadadeiras e a maior parte do crânio estão perdidas. A completude de 55% reflete o excelente estado da coluna vertebral mas a ausência de elementos apendiculares completos.

Encontrado (8)
Inferido (8)
Esqueleto de dinossauro — other
Slate Weasel, domínio público CC0 / domínio público

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebraeribspelvisscapulahumerusfemur

Estruturas inferidas

radiusulnahandtibiafibulafootsoft_tissueskin_coloration

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1868

Remarks on a new enaliosaurian, Elasmosaurus platyurus

Cope, E.D. · Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia

Descrição original de Elasmosaurus platyurus por Edward Drinker Cope, baseada no holótipo coletado no Kansas em 1867 por Theophilus H. Turner. Cope apresentou o animal como um novo enaliosaurio do Cretáceo Superior, atribuindo-lhe um pescoço curto e cauda longa, pois inverteu a orientação do esqueleto. O erro seria apontado dois anos depois por Joseph Leidy, tornando-se um dos episódios mais famosos da história da paleontologia americana e alimentando a rivalidade entre Cope e Marsh nas Guerras dos Ossos.

Reconstituição corrigida de Cope em 1870 mostrando Elasmosaurus platyurus com o crânio na extremidade correta (anterior), acima dos elementos do holótipo ANSP 10081. A versão original de 1868 tinha o crânio invertido na ponta da cauda.

Reconstituição corrigida de Cope em 1870 mostrando Elasmosaurus platyurus com o crânio na extremidade correta (anterior), acima dos elementos do holótipo ANSP 10081. A versão original de 1868 tinha o crânio invertido na ponta da cauda.

Vértebras dorsais de Elasmosaurus, ilustradas por T. Sinclair em 1870. As vértebras dorsais são significativamente mais curtas que as cervicais, característica que Cope inicialmente confundiu ao orientar o esqueleto.

Vértebras dorsais de Elasmosaurus, ilustradas por T. Sinclair em 1870. As vértebras dorsais são significativamente mais curtas que as cervicais, característica que Cope inicialmente confundiu ao orientar o esqueleto.

1906

North American plesiosaurs: Elasmosaurus, Cimoliasaurus, and Polycotylus

Williston, S.W. · American Journal of Science

Revisão abrangente de Samuel Wendell Williston sobre plesiosauros norte-americanos, incluindo Elasmosaurus, Cimoliasaurus e Polycotylus. Williston reavalia o material conhecido, clarifica as relações taxonômicas entre os gêneros e consolida a anatomia básica de Elasmosaurus a partir do holótipo. O trabalho estabelece Elasmosauridae como família distinta e descreve as características diagnósticas que separam elasmossaurídeos de outros grupos de plesiosauros do Cretáceo da América do Norte.

Gastrólitos (pedras de estômago) e ossos de um plesiosáurio do Cretáceo Inferior do Kansas, ilustrados por Williston (1914). Elasmosaurus e parentes ingeriam pedras polidas como lastre ou para ajudar na digestão de presas.

Gastrólitos (pedras de estômago) e ossos de um plesiosáurio do Cretáceo Inferior do Kansas, ilustrados por Williston (1914). Elasmosaurus e parentes ingeriam pedras polidas como lastre ou para ajudar na digestão de presas.

Diagrama comparativo de tamanho dos principais membros de Plesiosauroidea, incluindo Elasmosaurus platyurus. O gráfico ilustra as proporções extremas do pescoço em relação ao corpo nos elasmossaurídeos.

Diagrama comparativo de tamanho dos principais membros de Plesiosauroidea, incluindo Elasmosaurus platyurus. O gráfico ilustra as proporções extremas do pescoço em relação ao corpo nos elasmossaurídeos.

1999

Revision of North American elasmosaurids (Reptilia, Plesiosauria) from the Cretaceous of the Western Interior

Carpenter, K. · Paludicola

Revisão sistemática de Ken Carpenter sobre elasmossaurídeos norte-americanos do Cretáceo do Interior Ocidental. Carpenter concluiu que apenas Elasmosaurus platyurus é uma espécie válida dentro do gênero, invalidando todas as outras espécies previamente atribuídas ou transferindo-as para outros gêneros. O trabalho redefiniu os limites do gênero Elasmosaurus e estabeleceu critérios claros para a identificação do táxon, essenciais para todas as revisões posteriores de elasmossaurídeos norte-americanos.

Diagrama de tamanho de Elasmosaurus platyurus comparado com um mergulhador humano. As regiões desconhecidas foram restauradas com base em Albertonectes e Styxosaurus, parentes próximos estudados por Carpenter (1999).

Diagrama de tamanho de Elasmosaurus platyurus comparado com um mergulhador humano. As regiões desconhecidas foram restauradas com base em Albertonectes e Styxosaurus, parentes próximos estudados por Carpenter (1999).

Crânio do holótipo (KUVP 1301) de Styxosaurus snowii, elasmossaurídeo parente de Elasmosaurus da Smoky Hill Chalk do Kansas. Carpenter (1999) redefiniu as relações entre esses gêneros na sua revisão sistemática.

Crânio do holótipo (KUVP 1301) de Styxosaurus snowii, elasmossaurídeo parente de Elasmosaurus da Smoky Hill Chalk do Kansas. Carpenter (1999) redefiniu as relações entre esses gêneros na sua revisão sistemática.

2002

Terminonatator ponteixensis, a new elasmosaurid (Reptilia; Plesiosauria) from the Upper Cretaceous of Saskatchewan

Sato, T. · Journal of Vertebrate Paleontology

Sato descreve Terminonatator ponteixensis, um novo elasmossaurídeo do Cretáceo Superior de Saskatchewan, Canadá. A análise filogenética acompanhante posiciona Terminonatator como táxon irmão de Elasmosaurus dentro da subfamília Styxosaurinae. Este trabalho foi fundamental para definir as relações filogenéticas de Elasmosaurus dentro de Elasmosauridae, demonstrando que os elasmossaurídeos de pescoço extremamente longo formam um clado coerente no interior da família.

Pescoço e crânio articulados do holótipo de Styxosaurus snowii (KUVP 1301), elasmossaurídeo parente de Elasmosaurus e Terminonatator. A análise de Sato (2002) demonstrou que esses três gêneros formam um clado de pescoço ultra-longo (Styxosaurinae).

Pescoço e crânio articulados do holótipo de Styxosaurus snowii (KUVP 1301), elasmossaurídeo parente de Elasmosaurus e Terminonatator. A análise de Sato (2002) demonstrou que esses três gêneros formam um clado de pescoço ultra-longo (Styxosaurinae).

Paleogeografia da América do Norte durante o Campaniano (~75 Ma). O Mar Interior Ocidental, onde Elasmosaurus e Terminonatator viviam, cobria grande parte do centro do continente, com Kansas, Saskatchewan e outros estados e províncias submersos.

Paleogeografia da América do Norte durante o Campaniano (~75 Ma). O Mar Interior Ocidental, onde Elasmosaurus e Terminonatator viviam, cobria grande parte do centro do continente, com Kansas, Saskatchewan e outros estados e províncias submersos.

2005

Redescription of Elasmosaurus platyurus Cope, 1868 (Plesiosauria: Elasmosauridae) from the Upper Cretaceous (Lower Campanian) of Kansas, U.S.A.

Sachs, S. · Paludicola

Primeira redescrição moderna abrangente do holótipo ANSP 10081 por Sven Sachs. O trabalho define E. platyurus por duas autapomorfias inequívocas: presença de seis dentes pré-maxilares e alto número de 71 vértebras cervicais. Sachs documenta sistematicamente todo o material preservado, corrige interpretações anteriores sobre a morfologia das vértebras e estabelece os caracteres diagnósticos que distinguem E. platyurus de todos os outros elasmossaurídeos, tornando-se a referência anatômica padrão da espécie.

Reconstituição artística de Elasmosaurus platyurus capturando um Tylosaurus juvenil, com Hesperornis ao fundo. A redescrição de Sachs (2005) confirmou que E. platyurus era o maior elasmossaurídeo de seu ambiente, capaz de atacar presas de tamanho considerável.

Reconstituição artística de Elasmosaurus platyurus capturando um Tylosaurus juvenil, com Hesperornis ao fundo. A redescrição de Sachs (2005) confirmou que E. platyurus era o maior elasmossaurídeo de seu ambiente, capaz de atacar presas de tamanho considerável.

Reconstituição de vida de Elasmosaurus platyurus por Nobu Tamura, mostrando o animal com o pescoço estendido na horizontal, postura considerada mais plausível pela biomecânica moderna do que poses em forma de S ou de cisne.

Reconstituição de vida de Elasmosaurus platyurus por Nobu Tamura, mostrando o animal com o pescoço estendido na horizontal, postura considerada mais plausível pela biomecânica moderna do que poses em forma de S ou de cisne.

2013

Revised vertebral count in the 'longest-necked vertebrate' Elasmosaurus platyurus Cope 1868, and clarification of the cervical-dorsal transition in Plesiosauria

Sachs, S., Kear, B.P. & Everhart, M.J. · PLOS ONE

Sachs, Kear e Everhart revisitam a contagem vertebral de Elasmosaurus platyurus, corrigindo-a para 72 vértebras cervicais ao invés das 71 aceitas anteriormente. O estudo clarifica os critérios para distinguir vértebras cervicais de dorsais em plesiossauros, com base em características morfológicas das costelas e das facetas zigapofisárias. Publicado como artigo de acesso aberto na PLOS ONE, o trabalho tornou-se a referência principal para a anatomia vertebral de elasmossaurídeos e confirmou E. platyurus como o vertebrado com mais vértebras cervicais conhecidas.

Diagrama ilustrando cinco hipóteses sobre a flexibilidade do pescoço em elasmossaurídeos usando Elasmosaurus como modelo: em S vertical (A), horizontal (B), curva para baixo (C), curva lateral ampla (D) e ondulação serpentiforme (E). Sachs et al. (2013) contribuíram para entender as limitações vertebrais.

Diagrama ilustrando cinco hipóteses sobre a flexibilidade do pescoço em elasmossaurídeos usando Elasmosaurus como modelo: em S vertical (A), horizontal (B), curva para baixo (C), curva lateral ampla (D) e ondulação serpentiforme (E). Sachs et al. (2013) contribuíram para entender as limitações vertebrais.

Reconstituição científica de Elasmosaurus platyurus por Dmitry Bogdanov, mostrando as proporções corporais verificadas pela revisão vertebral de Sachs et al. (2013). Com 72 vértebras cervicais confirmadas, o pescoço de E. platyurus compunha mais de 55% do comprimento corporal total.

Reconstituição científica de Elasmosaurus platyurus por Dmitry Bogdanov, mostrando as proporções corporais verificadas pela revisão vertebral de Sachs et al. (2013). Com 72 vértebras cervicais confirmadas, o pescoço de E. platyurus compunha mais de 55% do comprimento corporal total.

2016

Taxonomic reassessment of Hydralmosaurus as Styxosaurus: new insights on the elasmosaurid neck evolution throughout the Cretaceous

Otero, R.A. · PeerJ

Rodrigo Otero realiza uma reavaliação taxonômica de Hydralmosaurus como Styxosaurus, com análise filogenética detalhada que posiciona Elasmosaurus como parente mais próximo de Albertonectes dentro de Styxosaurinae. O trabalho fornece novos dados sobre a evolução do pescoço em elasmossaurídeos ao longo do Cretáceo, demonstrando uma tendência de aumento progressivo no número de vértebras cervicais. A análise de Otero tornou-se um ponto de referência para a filogenia de Elasmosauridae.

Diagrama de tamanho de Elasmosaurus platyurus com legenda em russo, comparado com mergulhador humano. A análise de Otero (2016) confirmou as proporções extremas do pescoço de Elasmosaurus dentro de Styxosaurinae: mais de 55% do comprimento corporal total.

Diagrama de tamanho de Elasmosaurus platyurus com legenda em russo, comparado com mergulhador humano. A análise de Otero (2016) confirmou as proporções extremas do pescoço de Elasmosaurus dentro de Styxosaurinae: mais de 55% do comprimento corporal total.

Reconstituição de vida de Elasmosaurus platyurus por Connor Ashbridge. A filogenia de Otero (2016) confirmou a posição de Elasmosaurus como um dos elasmossaurídeos mais derivados, com pescoço proporcionalmente mais longo que seus parentes Styxosaurus e Terminonatator.

Reconstituição de vida de Elasmosaurus platyurus por Connor Ashbridge. A filogenia de Otero (2016) confirmou a posição de Elasmosaurus como um dos elasmossaurídeos mais derivados, com pescoço proporcionalmente mais longo que seus parentes Styxosaurus e Terminonatator.

2017

A new elasmosaurid (Sauropterygia, Plesiosauria) from the Bearpaw Shale (Late Cretaceous, Maastrichtian) of Montana with information on the phylogenetics and ecology of latest Cretaceous elasmosaurids

Serratos, D.J., Druckenmiller, P.S. & Bhullar, B.A.S. · Journal of Vertebrate Paleontology

Serratos e colegas descrevem um novo elasmossaurídeo do Maastrichtiano de Montana, com análise filogenética abrangente que inclui Elasmosaurus platyurus. O estudo também incorpora análise de isótopos estáveis para inferir a ecologia e os hábitos de alimentação dos elasmossaurídeos do Cretáceo mais recente. O trabalho fornece dados valiosos sobre a diversidade ecológica e a biogeografia dos elasmossaurídeos norte-americanos no final do Cretáceo.

Reconstituição de Elasmosaurus platyurus por Dmitry Bogdanov em fundo transparente, mostrando a anatomia geral do animal. A análise de Serratos et al. (2017) expandiu o conhecimento sobre a ecologia dos elasmossaurídeos do Cretáceo tardio usando isótopos estáveis.

Reconstituição de Elasmosaurus platyurus por Dmitry Bogdanov em fundo transparente, mostrando a anatomia geral do animal. A análise de Serratos et al. (2017) expandiu o conhecimento sobre a ecologia dos elasmossaurídeos do Cretáceo tardio usando isótopos estáveis.

Reconstituição de Albertonectes vanderveldei, elasmossaurídeo canadense e parente próximo de Elasmosaurus. Serratos et al. (2017) incluíram Albertonectes na análise filogenética para contextualizar a posição de Elasmosaurus dentro de Styxosaurinae.

Reconstituição de Albertonectes vanderveldei, elasmossaurídeo canadense e parente próximo de Elasmosaurus. Serratos et al. (2017) incluíram Albertonectes na análise filogenética para contextualizar a posição de Elasmosaurus dentro de Styxosaurinae.

1999

Gastroliths and diet in plesiosaurs

Wahl, W.R. · Tate Museum Publications

Wahl examina gastrólitos (pedras de estômago) associados a plesiosauros das formações Sundance e Morrison, discutindo sua função fisiológica e dietética. O estudo é relevante para Elasmosaurus porque membros da família foram encontrados com acumulações similares de pedras polidas, sugerindo que esses répteis marinhos ingeriam rochas intencionalmente como lastre para controle de flutuabilidade ou como auxiliar na trituração de alimentos difíceis de digerir.

Calcário e giz impuro do Membro Smoky Hill Chalk da Formação Niobrara, Cretáceo Superior, Monument Rocks, Kansas. Esta é exatamente a litologia do ambiente onde viveram os parentes próximos de Elasmosaurus como Styxosaurus.

Calcário e giz impuro do Membro Smoky Hill Chalk da Formação Niobrara, Cretáceo Superior, Monument Rocks, Kansas. Esta é exatamente a litologia do ambiente onde viveram os parentes próximos de Elasmosaurus como Styxosaurus.

Detalhe do Membro Smoky Hill Chalk em Monument Rocks, Kansas. Elasmosaurus foi encontrado no equivalente cronológico desta formação (Pierre Shale), demonstrando que esses animais habitavam as águas rasas e produtivas do Mar Interior Ocidental.

Detalhe do Membro Smoky Hill Chalk em Monument Rocks, Kansas. Elasmosaurus foi encontrado no equivalente cronológico desta formação (Pierre Shale), demonstrando que esses animais habitavam as águas rasas e produtivas do Mar Interior Ocidental.

2000

Gastroliths associated with plesiosaur remains in the Smoky Hill Chalk (Upper Cretaceous) of western Kansas

Everhart, M.J. · Transactions of the Kansas Academy of Science

Everhart documenta gastrólitos encontrados em associação com restos de plesiosauros elasmossaurídeos na Smoky Hill Chalk de Kansas. O estudo registra a localização precisa, quantidade e tipo de rochas encontradas, inferindo funções de lastro para controle de flutuabilidade ou papel na digestão. O trabalho é especialmente relevante para Elasmosaurus porque a Smoky Hill Chalk é o ambiente costeiro contemporâneo ao Pierre Shale onde o holótipo de E. platyurus foi encontrado.

Amostra de calcário do Membro Smoky Hill Chalk, Formação Niobrara, Kansas. As formações de calcário e giz desta região preservaram excepcionalmente bem os fósseis de plesiosauros, mosassauros e peixes do Mar Interior Ocidental.

Amostra de calcário do Membro Smoky Hill Chalk, Formação Niobrara, Kansas. As formações de calcário e giz desta região preservaram excepcionalmente bem os fósseis de plesiosauros, mosassauros e peixes do Mar Interior Ocidental.

Paisagem atual dos Smoky Hills, Kansas, onde afloram as rochas do Cretáceo Superior que preservaram os fósseis de Elasmosaurus e outros répteis marinhos do Mar Interior Ocidental. As erosões expõem continuamente novos materiais.

Paisagem atual dos Smoky Hills, Kansas, onde afloram as rochas do Cretáceo Superior que preservaram os fósseis de Elasmosaurus e outros répteis marinhos do Mar Interior Ocidental. As erosões expõem continuamente novos materiais.

2001

A cladistic analysis and taxonomic revision of the Plesiosauria (Reptilia: Sauropterygia)

O'Keefe, F.R. · Acta Zoologica Fennica

Análise cladística abrangente de Frank Robin O'Keefe estabelecendo os clados principais dos plesiossauros e revisando sua taxonomia. O trabalho posicionou Elasmosaurus dentro de Elasmosauridae e estabeleceu as relações filogenéticas fundamentais da ordem Plesiosauria. A análise de O'Keefe forneceu o arcabouço taxonômico que seria refinado por trabalhos posteriores de Sato, Otero e outros pesquisadores, tornando-se referência obrigatória na literatura sobre plesiossauros.

Reconstituição histórica de Trinacromerum, polycotylídeo do Cretáceo que compartilhava o Mar Interior Ocidental com Elasmosaurus. A análise de O'Keefe (2001) clarificou as diferenças filogenéticas entre polycotylídeos e elasmossaurídeos.

Reconstituição histórica de Trinacromerum, polycotylídeo do Cretáceo que compartilhava o Mar Interior Ocidental com Elasmosaurus. A análise de O'Keefe (2001) clarificou as diferenças filogenéticas entre polycotylídeos e elasmossaurídeos.

Esqueleto de Trinacromerum osborni, plesiosáurio cretáceo montado na Universidade do Kansas. O'Keefe (2001) usou esqueletos comparativos de polycotylídeos e elasmossaurídeos, incluindo espécimes do Kansas, em sua análise filogenética.

Esqueleto de Trinacromerum osborni, plesiosáurio cretáceo montado na Universidade do Kansas. O'Keefe (2001) usou esqueletos comparativos de polycotylídeos e elasmossaurídeos, incluindo espécimes do Kansas, em sua análise filogenética.

2021

Revision of Nectosaurus and Megacephalosaurus, polycotylid-grade (Reptilia, Plesiosauria) taxa from the Cretaceous of North America

Zverkov, N.G. & Jacobs, M.L. · Journal of Paleontology

Zverkov e Jacobs revisam os polycotylídeos Nectosaurus e Megacephalosaurus do Cretáceo da América do Norte, com nova análise filogenética que inclui Elasmosauridae. O trabalho traz dados comparativos sobre a diversidade de plesiosauros no Mar Interior Ocidental e reforça o entendimento das relações entre diferentes famílias de plesiosauroides que coexistiam com Elasmosaurus no mesmo ambiente durante o Campaniano.

Esqueleto de Trinacromerum osborni montado no museu da Universidade do Kansas, de Williston (1925). O Mar Interior Ocidental durante o Campaniano era habitado por uma diversidade de plesiosauros, incluindo Elasmosaurus e polycotylídeos como Trinacromerum.

Esqueleto de Trinacromerum osborni montado no museu da Universidade do Kansas, de Williston (1925). O Mar Interior Ocidental durante o Campaniano era habitado por uma diversidade de plesiosauros, incluindo Elasmosaurus e polycotylídeos como Trinacromerum.

Mapa do Mar Interior Ocidental durante o Cretáceo (~95 Ma). Em tempos mais recentes como o Campaniano (~80 Ma), o mar era menos extenso mas ainda cobria o Kansas, onde o holótipo de Elasmosaurus foi encontrado.

Mapa do Mar Interior Ocidental durante o Cretáceo (~95 Ma). Em tempos mais recentes como o Campaniano (~80 Ma), o mar era menos extenso mas ainda cobria o Kansas, onde o holótipo de Elasmosaurus foi encontrado.

2005

A stratigraphic and taxonomic review of plesiosaurs from the old 'Fort Benton Group' of central Kansas: a new assessment of old records

Schumacher, B.A. & Everhart, M.J. · Paludicola

Schumacher e Everhart revisam estratigraficamente e taxonomicamente os registros de plesiossauros do antigo Grupo Fort Benton do Kansas central, incluindo material relevante para Elasmosaurus. O trabalho atualiza as identificações dos espécimes históricos coletados no século XIX e início do século XX, contextualizando-os nas unidades estratigráficas modernas. A revisão é essencial para entender a distribuição temporal e geográfica de E. platyurus e seus parentes no Mar Interior Ocidental.

Monument Rocks, Kansas, formação de calcário do Cretáceo Superior. As rochas expostas nesta paisagem são contemporâneas ao Pierre Shale onde Elasmosaurus foi encontrado e preservaram uma rica fauna marinha do Mar Interior Ocidental.

Monument Rocks, Kansas, formação de calcário do Cretáceo Superior. As rochas expostas nesta paisagem são contemporâneas ao Pierre Shale onde Elasmosaurus foi encontrado e preservaram uma rica fauna marinha do Mar Interior Ocidental.

Vista panorâmica de Monument Rocks, Kansas. A região do Kansas central foi um dos locais mais produtivos para a coleta de fósseis de répteis marinhos do Cretáceo na América do Norte desde a época de Cope e Marsh.

Vista panorâmica de Monument Rocks, Kansas. A região do Kansas central foi um dos locais mais produtivos para a coleta de fósseis de répteis marinhos do Cretáceo na América do Norte desde a época de Cope e Marsh.

2014

Faunal turnover of marine tetrapods during the Jurassic-Cretaceous transition

Benson, R.B.J. & Druckenmiller, P.S. · Biological Reviews

Benson e Druckenmiller apresentam análise filogenética abrangente de tetrápodes marinhos incluindo nova topologia para Elasmosauridae. O estudo analisa a renovação faunística durante a transição Jurássico-Cretáceo, demonstrando que Elasmosauridae emergiu e diversificou-se durante este período. O trabalho estabelece a posição de Elasmosaurus dentro de uma filogenia global de plesiosauros e contextualiza a evolução do grupo no quadro maior das radiações de répteis marinhos mesozoicos.

Mapa paleogeográfico do Mar Interior Ocidental com os continentes antigos visíveis (~95 Ma). Benson e Druckenmiller (2014) analisaram como os tetrápodes marinhos, incluindo elasmossaurídeos, colonizaram esses ambientes marinhos epicontinentais ao longo do Cretáceo.

Mapa paleogeográfico do Mar Interior Ocidental com os continentes antigos visíveis (~95 Ma). Benson e Druckenmiller (2014) analisaram como os tetrápodes marinhos, incluindo elasmossaurídeos, colonizaram esses ambientes marinhos epicontinentais ao longo do Cretáceo.

Mapa da América do Norte com o Mar Interior Ocidental durante o Campaniano (Cretáceo Superior, ~75 Ma). Elasmosaurus platyurus viveu neste epicontinental durante o Campaniano inferior, exatamente na região que hoje é o Kansas.

Mapa da América do Norte com o Mar Interior Ocidental durante o Campaniano (Cretáceo Superior, ~75 Ma). Elasmosaurus platyurus viveu neste epicontinental durante o Campaniano inferior, exatamente na região que hoje é o Kansas.

2024

How elongated? The pattern of elongation of cervical centra of Elasmosaurus platyurus with comments on cervical elongation patterns among plesiosauromorphs

O'Gorman, J.P. · Diversity

O'Gorman realiza análise quantitativa detalhada do padrão de elongação das vértebras cervicais de Elasmosaurus platyurus, comparando-o com outros plesiosaurômorfos. O estudo demonstra um padrão único de distribuição da elongação ao longo do pescoço, com vértebras centrais mais elongadas e uma diminuição gradual em direção ao crânio e ao tronco. Este é o trabalho mais recente e abrangente sobre a anatomia vertebral de E. platyurus, fornecendo dados morfométricos precisos sobre o holótipo ANSP 10081.

Diagrama do crânio e escala de Styxosaurus browni, parente próximo de Elasmosaurus. O'Gorman (2024) comparou o padrão de elongação vertebral de E. platyurus com Styxosaurus e outros elasmossaurídeos para identificar características únicas do pescoço de E. platyurus.

Diagrama do crânio e escala de Styxosaurus browni, parente próximo de Elasmosaurus. O'Gorman (2024) comparou o padrão de elongação vertebral de E. platyurus com Styxosaurus e outros elasmossaurídeos para identificar características únicas do pescoço de E. platyurus.

Diagrama do crânio (com seção transversal parcial) e escala de Styxosaurus snowii, elasmossaurídeo da Smoky Hill Chalk do Kansas. O'Gorman (2024) incluiu Styxosaurus nas suas comparações quantitativas com Elasmosaurus platyurus.

Diagrama do crânio (com seção transversal parcial) e escala de Styxosaurus snowii, elasmossaurídeo da Smoky Hill Chalk do Kansas. O'Gorman (2024) incluiu Styxosaurus nas suas comparações quantitativas com Elasmosaurus platyurus.

Holótipo ANSP 10081 — Academy of Natural Sciences of Drexel University, Filadélfia, Estados Unidos

Slate Weasel, domínio público

Holótipo ANSP 10081

Academy of Natural Sciences of Drexel University, Filadélfia, Estados Unidos

Completude: ~55% (coluna vertebral quase completa)
Encontrado em: 1867
Por: Theophilus H. Turner

O único espécime definitivamente atribuído a E. platyurus. Coletado próximo ao Fort Wallace, Logan County, Kansas, em rochas do Pierre Shale (Campaniano inferior). Preserva 72 vértebras cervicais, parte do crânio, costelas e elementos da cintura escapular e pélvica. Foi o espécime usado por Cope em seu errôneo e depois famoso esquema de 1868.

KUVP 1301 (Styxosaurus snowii, parente próximo) — University of Kansas Natural History Museum, Lawrence, Estados Unidos

Neil Pezzoni (NGPezz), CC BY 4.0

KUVP 1301 (Styxosaurus snowii, parente próximo)

University of Kansas Natural History Museum, Lawrence, Estados Unidos

Completude: ~80%
Encontrado em: 1895
Por: H.T. Martin

Embora seja Styxosaurus snowii (não E. platyurus), este espécime é o mais completo de um elasmossaurídeo do gênero irmão de Elasmosaurus, coletado na Smoky Hill Chalk do Kansas. Preserva crânio, pescoço quase completo e parte do corpo. Fundamental para entender a anatomia de E. platyurus por comparação, dado que o holótipo de Elasmosaurus carece de crânio completo.

Elasmosaurus ocupou lugar especial no imaginário cultural muito antes do cinema moderno. Seu pescoço longo e sinuoso tornou-se a base visual para o monstro do Lago Ness e outros monstros aquáticos do folclore do século XX. No cinema, apareceu já em King Kong (1933) como criatura de lago aterrorizante. A produção mais notável foi Chased by Sea Monsters (BBC, 2003), documentário narrado por Nigel Marven que dedicou episódio inteiro ao Mar Interior Ocidental do Campaniano, retratando Elasmosaurus com relativa precisão científica para a época. Sea Monsters: A Prehistoric Adventure (2007) levou a espécie ao IMAX em 3D, tornando-a acessível a novos públicos. Em animação, Elsie em The Land Before Time V (1997) popularizou os elasmossaurídeos junto ao público infantil. A forma longa e sinuosa do pescoço de Elasmosaurus continua sendo uma das silhuetas mais reconhecíveis da paleontologia, frequentemente confundida com dinossauro pelo público em geral, apesar de o animal pertencer a um grupo completamente distinto de répteis marinhos.

Animatrônico do T-rex da franquia Jurassic Park com o Jeep característico da série

Animatrônico em tamanho real do T-rex da franquia Jurassic Park, com o Jeep vermelho icônico da série — Amaury Laporte · CC BY 2.0

1933 🎞️ King Kong — Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack Wikipedia →
1997 🎨 The Land Before Time V: The Mysterious Island — Charles Grosvenor Wikipedia →
2003 📹 Chased by Sea Monsters — Nigel Paterson Wikipedia →
2007 📹 Sea Monsters: A Prehistoric Adventure — Sean MacLeod Phillips Wikipedia →
2009 🎨 Dinosaur Train (série TV) — Craig Bartlett Wikipedia →
Sauropterygia
Plesiosauria
Plesiosauroidea
Elasmosauridae
Styxosaurinae
Primeiro fóssil
1867
Descobridor
Theophilus H. Turner
Descrição formal
1868
Descrito por
Edward Drinker Cope
Formação
Pierre Shale (Sharon Springs Member)
Região
Kansas
País
United States
Cope, E.D. (1868) — Proceedings of the Academy of Natural Sciences of Philadelphia

Curiosidade

O erro de Edward Drinker Cope em 1868, que colocou o crânio de Elasmosaurus na ponta da cauda ao invés da cabeça, foi tão embaraçoso que o paleontólogo tentou comprar e destruir todas as cópias do paper original para apagar o registro do engano.