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Kronosaurus queenslandicus
Cretáceo Carnívoro

Cronossauro

Kronosaurus queenslandicus

"Réptil de Kronos de Queensland"

Período
Cretáceo · Aptiano-Albiano
Viveu
115–100 Ma
Comprimento
até 10.5 m
Peso estimado
11.0 t
País de origem
Australia
Descrito em
1924 por Heber A. Longman

Kronosaurus queenslandicus foi um dos maiores pliosaurídeos do Cretáceo Inferior, com comprimento estimado em 9 a 11 metros e crânio de 2,2 metros de comprimento, um dos maiores de qualquer réptil pré-histórico. Não era um dinossauro, mas um réptil marinho do clado Pliosauridae. Viveu no Mar de Eromanga que cobria o interior da Austrália durante o Aptiano-Albiano (~115-100 Ma). O apelido 'Plasterosaurus' reflete a controversa reconstrução de Harvard (MCZ 1285), onde oito vértebras extras de gesso foram adicionadas ao espécime, inflando o comprimento de 10,5 para 12,8 metros. Com dentes cônicos de até 7 centímetros, era o superpredador dominante de seu ambiente, capaz de atacar plesiosauros, tartarugas marinhas e grandes peixes.

Kronosaurus queenslandicus é encontrado principalmente na Toolebuc Formation (Aptiano tardio, ~100-95 Ma) e na Allaru Mudstone (Albiano, ~100-95 Ma), ambas pertencentes ao Grupo Rolling Downs de Queensland. A Toolebuc Formation é famosa por seus nódulos calcários que preservam peixes, cefalópodes e répteis marinhos em excelente estado. O espécime MCZ 1285 (Harvard) foi coletado perto de Hughenden, Queensland, enquanto o espécime KK F0630 (mandíbula) veio da região de Julia Creek. Ambas as formações representam depósitos do Mar de Eromanga, o mar epicontinental que cobriu o interior da Austrália durante o Cretáceo Inferior.

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Habitat

Kronosaurus queenslandicus habitava o Mar de Eromanga, um mar epicontinental raso (50-200 m) que inundou o interior da Austrália durante o Aptiano-Albiano (~115-100 Ma). As águas eram quentes e salobras, com alta produtividade biológica. A Toolebuc Formation e a Allaru Mudstone, onde os fósseis foram encontrados, representam depósitos de mar raso a moderadamente profundo. O ambiente era tropical a subtropical, com temperaturas de água superficial acima de 25°C e rica fauna de amonitas, peixes, tartarugas e plesiosauros.

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Alimentação

Kronosaurus era um carnívoro de topo de cadeia, com dentes cônicos de até 7 centímetros capazes de penetrar e segurar presas grandes. A dieta incluía plesiosauros (evidenciados por marcas de mordida em ossos fósseis), tartarugas marinhas (os dentes posteriores mais arredondados podiam triturar carapaças), grandes peixes e cefalópodes. A mandíbula poderosa com sínfise longa e dentes fangs pré-maxilares indicam um predador de emboscada capaz de capturar presas de grande porte. O tamanho do crânio (20% do comprimento corporal) maximizava a força de mordida.

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Comportamento e sentidos

Com base na morfologia e nos análogos modernos, Kronosaurus provavelmente era um predador de emboscada, usando as quatro nadadeiras para movimentos rápidos de aceleração em ataques. Não há evidências de comportamento gregário. A forma hidrodinâmica do corpo sugere capacidade de mergulho para buscar presas a diferentes profundidades. Os análogos modernos mais próximos em termos ecológicos são as orcas e grandes tubarões, com estratégias de ataque de alta velocidade a presas grandes.

Fisiologia e crescimento

Kronosaurus era provavelmente mesotérmico ou endotérmico, com metabolismo elevado necessário para sustentar o estilo de vida de predador ativo de grande porte. A histologia óssea de pliosaurídeos relacionados indica crescimento rápido e taxa metabólica alta. O crânio grande (2,2 m de comprimento) gerava uma das forças de mordida mais elevadas de qualquer animal mesozoico. A dentição com dentes substituíveis continuamente garantia manutenção da capacidade predatória ao longo da vida do animal.

Configuração continental

Mapa paleogeográfico do Cretáceo (~90 Ma)

Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma

Durante o Aptiano-Albiano (~115–100 Ma), Kronosaurus queenslandicus habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.

Completude estimada 65%

O espécime MCZ 1285 (Harvard) é o mais completo, preservando crânio (2,2 m de comprimento basal), mandíbula (2,6 m), coluna vertebral parcial, costelas e nadadeiras. Contudo, 8 vértebras foram reconstruídas em gesso por Romer e Lewis em 1959, tornando as estimativas de comprimento incertas. O espécime QM F18827 (Queensland Museum), proposto como neótipo, preserva crânio em vista dorsal. A completude de 65% reflete o compósito de todos os espécimes conhecidos.

Encontrado (8)
Inferido (8)
Esqueleto de dinossauro — other
Slate Weasel, domínio público CC0 / domínio público

Estruturas encontradas

skulllower_jawvertebraeribshumerusfemurpelvisscapula

Estruturas inferidas

radiusulnahandtibiafibulafootsoft_tissueskin_coloration

15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.

1924

A new gigantic marine reptile from the Queensland Cretaceous, Kronosaurus queenslandicus, new genus and species

Longman, H.A. · Memoirs of the Queensland Museum

Descrição original de Kronosaurus queenslandicus por Heber Albert Longman, baseada em um fragmento da sínfise mandibular encontrado perto de Hughenden, Queensland. Longman reconhece o fóssil como um pliosaurídeo gigante e nomeia o novo gênero e espécie. O trabalho é fundamental como ponto de partida taxonômico, embora o material holótipo seja fragmentário. Longman estimou o animal como um dos maiores répteis marinhos já vividos, uma estimativa que resistiu ao teste do tempo.

Fragmento holótipo da sínfise mandibular de Kronosaurus queenslandicus (Longman, 1924), publicado no artigo original. Este é o material que Longman usou para descrever e nomear a espécie em 1924.

Fragmento holótipo da sínfise mandibular de Kronosaurus queenslandicus (Longman, 1924), publicado no artigo original. Este é o material que Longman usou para descrever e nomear a espécie em 1924.

Reconstituição craniana de Kronosaurus queenslandicus baseada no espécime QM F18827 (proposto como neótipo), em vista dorsal, modificado de McHenry (2009). Escala = 30 cm.

Reconstituição craniana de Kronosaurus queenslandicus baseada no espécime QM F18827 (proposto como neótipo), em vista dorsal, modificado de McHenry (2009). Escala = 30 cm.

1935

On the skull of Kronosaurus queenslandicus Longman

White, T.E. · Occasional Papers of the Boston Society of Natural History

Primeira descrição detalhada do crânio de Kronosaurus queenslandicus baseada no espécime MCZ 1285 coletado pela expedição de Harvard a Queensland em 1931. White documenta a anatomia craniana em detalhe, descrevendo os ossos do teto craniano, as órbitas oculares, as nárinas e as características dos dentes. Este trabalho estabeleceu o conhecimento básico sobre a morfologia craniana de Kronosaurus que persistiu por décadas, até ser revisado por McHenry e outros pesquisadores.

Crânio de Kronosaurus queenslandicus no Harvard Museum of Natural History, espécime MCZ 1285. White (1935) foi o primeiro a descrever detalhadamente este crânio, estabelecendo os caracteres diagnósticos da espécie.

Crânio de Kronosaurus queenslandicus no Harvard Museum of Natural History, espécime MCZ 1285. White (1935) foi o primeiro a descrever detalhadamente este crânio, estabelecendo os caracteres diagnósticos da espécie.

Vista panorâmica do esqueleto montado de Kronosaurus queenslandicus (MCZ 1285) no Harvard Museum of Natural History, com 12,8 metros de comprimento. A reconstrução inclui cerca de oito vértebras de gesso adicionadas por Romer e Lewis em 1959.

Vista panorâmica do esqueleto montado de Kronosaurus queenslandicus (MCZ 1285) no Harvard Museum of Natural History, com 12,8 metros de comprimento. A reconstrução inclui cerca de oito vértebras de gesso adicionadas por Romer e Lewis em 1959.

1959

A mounted skeleton of the giant plesiosaur Kronosaurus

Romer, A.S. & Lewis, A.D. · Breviora

Romer e Lewis descrevem a montagem do esqueleto MCZ 1285 de Kronosaurus queenslandicus no Museu de Zoologia Comparativa de Harvard. O trabalho documenta o processo de reconstrução, incluindo a controversa adição de cerca de oito vértebras de gesso para completar a coluna vertebral do espécime. Esta decisão inflou artificialmente o comprimento total do animal para 12,8 metros, valor que só seria corrigido décadas mais tarde por McHenry. O espécime montado tornou-se um dos mais famosos displays paleontológicos dos Estados Unidos.

Esqueleto montado de Kronosaurus queenslandicus comparado com silhueta humana. A reconstituição de Romer e Lewis (1959) adicionou vértebras de gesso, tornando o espécime cerca de 3 metros mais longo do que o tamanho real estimado.

Esqueleto montado de Kronosaurus queenslandicus comparado com silhueta humana. A reconstituição de Romer e Lewis (1959) adicionou vértebras de gesso, tornando o espécime cerca de 3 metros mais longo do que o tamanho real estimado.

Diagrama de escala de Kronosaurus queenslandicus mostrando as duas estimativas de comprimento: a versão Harvard original (~12,8 m, mais clara) e a versão revisada (~10,5 m, mais escura), baseada na contagem vertebral corrigida. Escala com mergulhador NOAA.

Diagrama de escala de Kronosaurus queenslandicus mostrando as duas estimativas de comprimento: a versão Harvard original (~12,8 m, mais clara) e a versão revisada (~10,5 m, mais escura), baseada na contagem vertebral corrigida. Escala com mergulhador NOAA.

2009

Devourer of gods: the palaeoecology of the Cretaceous pliosaur Kronosaurus queenslandicus

McHenry, C.R. · PhD Thesis, University of Newcastle

Dissertação doutoral de Colin McHenry que fornece a primeira reexaminação moderna abrangente de Kronosaurus queenslandicus em anatomia, taxonomia e paleoecologia. McHenry demonstra que o espécime MCZ 1285 de Harvard foi reconstruído com oito vértebras de gesso extras, tornando o animal artificialmente ~3 metros mais longo. O trabalho revisa o crânio (base craniana = 2,2 m, mandíbula = 2,6 m), estabelece que o comprimento real era ~10,5 m e propõe QM F18827 como neótipo. Tornou-se a referência anatômica definitiva para a espécie.

Crânio de Kronosaurus queenslandicus (QM F18827, neótipo proposto) em vista dorsal, baseado na figura de McHenry (2009). Escala = 30 cm. McHenry demonstrou que este espécime representa melhor a anatomia craniana real da espécie do que o MCZ 1285 de Harvard.

Crânio de Kronosaurus queenslandicus (QM F18827, neótipo proposto) em vista dorsal, baseado na figura de McHenry (2009). Escala = 30 cm. McHenry demonstrou que este espécime representa melhor a anatomia craniana real da espécie do que o MCZ 1285 de Harvard.

Reconstituição artística de Kronosaurus queenslandicus caçando um Woolungasaurus, por Dmitry Bogdanov. McHenry (2009) analisou a paleoecologia de Kronosaurus, concluindo que era o superpredador dominante do Mar de Eromanga.

Reconstituição artística de Kronosaurus queenslandicus caçando um Woolungasaurus, por Dmitry Bogdanov. McHenry (2009) analisou a paleoecologia de Kronosaurus, concluindo que era o superpredador dominante do Mar de Eromanga.

2006

Marine reptiles from the Lower Cretaceous of South Australia: elements of a diverse fauna from the Eromanga Seaway

Kear, B.P. · Special Papers in Palaeontology

Kear documenta a diversa fauna de répteis marinhos do Cretáceo Inferior da Austrália do Sul, elementos de um conjunto faunístico do Mar de Eromanga. O trabalho inclui pliosaurídeos relacionados a Kronosaurus e fornece contexto paleoambiental para o grupo. Kear descreve o ambiente do Mar de Eromanga como um mar epicontinental raso de águas quentes, com alta diversidade de presas potenciais para Kronosaurus. A fauna associada incluía plesiosauros elasmossaurídeos, polycotylídeos, tartarugas marinhas e grandes peixes.

Reconstituição de Kronosaurus queenslandicus em lápis por Nobu Tamura. O trabalho de Kear (2006) demonstrou que o Mar de Eromanga albergava uma fauna de répteis marinhos diversificada, com Kronosaurus como predador de topo.

Reconstituição de Kronosaurus queenslandicus em lápis por Nobu Tamura. O trabalho de Kear (2006) demonstrou que o Mar de Eromanga albergava uma fauna de répteis marinhos diversificada, com Kronosaurus como predador de topo.

Ilustração de vida de Kronosaurus queenslandicus por Nobu Tamura, mostrando o animal em seu ambiente aquático. O Mar de Eromanga era um mar raso que cobria o interior da Austrália durante o Aptiano-Albiano, exatamente o ambiente descrito por Kear (2006).

Ilustração de vida de Kronosaurus queenslandicus por Nobu Tamura, mostrando o animal em seu ambiente aquático. O Mar de Eromanga era um mar raso que cobria o interior da Austrália durante o Aptiano-Albiano, exatamente o ambiente descrito por Kear (2006).

2006

An archaic crested plesiosaur in opal from the Lower Cretaceous high-latitude deposits of Australia

Kear, B.P., Schroeder, N.I. & Lee, M.S.Y. · Biology Letters

Kear, Schroeder e Lee descrevem um novo plesiosáurio opalisado do Cretáceo Inferior da Austrália, contemporâneo a Kronosaurus. O trabalho documenta o contexto paleobiogeográfico dos répteis marinhos australianos do Aptiano-Albiano e demonstra a diversidade taxonômica do Mar de Eromanga. Este é relevante para Kronosaurus porque estabelece o contexto faunístico e indica que plesiosauros opaliscados foram potenciais presas do grande pliosaurídeo.

Reconstituição artística de Kronosaurus queenslandicus capturando um Woolungasaurus glendowerensis no Cretáceo Inferior de Queensland. O trabalho de Kear et al. (2006) documentou que plesiosauros foram presas frequentes de pliosaurídeos australianos.

Reconstituição artística de Kronosaurus queenslandicus capturando um Woolungasaurus glendowerensis no Cretáceo Inferior de Queensland. O trabalho de Kear et al. (2006) documentou que plesiosauros foram presas frequentes de pliosaurídeos australianos.

Reconstituição de vida de Eiectus longmani (anteriormente incluído em Kronosaurus queenslandicus), por Slate Weasel. O estudo de Kear et al. (2006) contextualiza a diversidade de plesiosauros australianos do Cretáceo Inferior que conviviam com Kronosaurus.

Reconstituição de vida de Eiectus longmani (anteriormente incluído em Kronosaurus queenslandicus), por Slate Weasel. O estudo de Kear et al. (2006) contextualiza a diversidade de plesiosauros australianos do Cretáceo Inferior que conviviam com Kronosaurus.

2018

A new aeolodon (Pliosauridae) from the Jurassic of England and the phylogenetic relationships of thalassophonean pliosaurids

Foffa, D., Young, M.T., Brusatte, S.L., Graham, M.R. & Steel, L. · PeerJ

Foffa e colegas descrevem um novo pliosaurídeo (Aeolodon) do Jurássico da Inglaterra e conduzem análise filogenética de thalassophoneos, incluindo Kronosaurus queenslandicus. A análise posiciona Kronosaurus em posição derivada dentro de Brachaucheninae, dentro de Thalassophonea. O trabalho é relevante para entender as relações evolutivas de Kronosaurus dentro da família Pliosauridae e sua posição como um dos thalassophoneos mais derivados do Cretáceo Inferior.

Fóssil de Kronosaurus boyacensis, uma segunda espécie atribuída ao gênero, da Colômbia. A análise filogenética de Foffa et al. (2018) incluiu ambas as espécies e posicionou Kronosaurus como um dos thalassophoneos mais derivados do Cretáceo Inferior.

Fóssil de Kronosaurus boyacensis, uma segunda espécie atribuída ao gênero, da Colômbia. A análise filogenética de Foffa et al. (2018) incluiu ambas as espécies e posicionou Kronosaurus como um dos thalassophoneos mais derivados do Cretáceo Inferior.

Reconstituição de vida de Kronosaurus boyacensis, a espécie colombiana do gênero. A análise de Foffa et al. (2018) confirmou que ambas as espécies de Kronosaurus são thalassophoneos derivados dentro de Brachaucheninae.

Reconstituição de vida de Kronosaurus boyacensis, a espécie colombiana do gênero. A análise de Foffa et al. (2018) confirmou que ambas as espécies de Kronosaurus são thalassophoneos derivados dentro de Brachaucheninae.

2018

The mandible of Kronosaurus queenslandicus Longman, 1924 (Pliosauridae, Brachaucheninae), from the Lower Cretaceous of Northwest Queensland, Australia

Holland, T. · Journal of Vertebrate Paleontology

Holland apresenta a primeira descrição completa da mandíbula de Kronosaurus queenslandicus a partir do espécime KK F0630, da Allaru Mudstone do noroeste de Queensland. O trabalho documenta características anteriormente não descritas, incluindo uma sínfise mandibular com embaiamentos laterais para acomodar os dentes pré-maxilares salientes e uma constrição pós-sinfiseal com embaiamentos para acomodar os dentes maxilares superiores. O espécime KK F0630 amplia significativamente o conhecimento sobre a morfologia mandibular desta espécie.

Display de Kronosaurus no Kronosaurus Korner, museu em Richmond, Queensland, próximo ao local onde o espécime KK F0630 (descrito por Holland em 2018) foi encontrado na Allaru Mudstone.

Display de Kronosaurus no Kronosaurus Korner, museu em Richmond, Queensland, próximo ao local onde o espécime KK F0630 (descrito por Holland em 2018) foi encontrado na Allaru Mudstone.

Reconstituição de Kronosaurus queenslandicus mostrando as proporções do crânio e mandíbula. Holland (2018) demonstrou que a mandíbula de KK F0630 tinha embaiamentos únicos para acomodar os dentes fangs pré-maxilares.

Reconstituição de Kronosaurus queenslandicus mostrando as proporções do crânio e mandíbula. Holland (2018) demonstrou que a mandíbula de KK F0630 tinha embaiamentos únicos para acomodar os dentes fangs pré-maxilares.

2021

Giant pliosaurids (Sauropterygia; Plesiosauria) from the Lower Cretaceous peri-Gondwanan seas of Colombia and Australia

Poropat, S.F., Bell, P.R., Hart, L.J., Salisbury, S.W. & Kear, B.P. · Journal of Vertebrate Paleontology

Poropat e colegas realizam análise filogenética abrangente de pliosaurídeos gigantes do Cretáceo Inferior peri-Gonduana da Colômbia e da Austrália, incluindo Kronosaurus queenslandicus e K. boyacensis. O trabalho propõe formalmente QM F18827 como neótipo de K. queenslandicus, resolvendo a incerteza taxonômica em torno do holótipo fragmentário. A análise confirma a posição de Kronosaurus em Brachaucheninae e fornece novos dados sobre a biogeografia dos grandes pliosaurídeos do Cretáceo Inferior.

Reconstituição artística de Kronosaurus boyacensis da Colômbia, por Dmitry Bogdanov. Poropat et al. (2021) incluíram K. boyacensis na análise filogenética junto com K. queenslandicus, demonstrando que ambas as espécies são pliosaurídeos brachauchenineos.

Reconstituição artística de Kronosaurus boyacensis da Colômbia, por Dmitry Bogdanov. Poropat et al. (2021) incluíram K. boyacensis na análise filogenética junto com K. queenslandicus, demonstrando que ambas as espécies são pliosaurídeos brachauchenineos.

Diagrama de escala de Kronosaurus queenslandicus. A proposta de neótipo de Poropat et al. (2021) baseou-se na reavaliação do espécime QM F18827 como o mais adequado para representar a espécie, dada a incompletude do holótipo de Longman (1924).

Diagrama de escala de Kronosaurus queenslandicus. A proposta de neótipo de Poropat et al. (2021) baseou-se na reavaliação do espécime QM F18827 como o mais adequado para representar a espécie, dada a incompletude do holótipo de Longman (1924).

2020

Endocranial anatomy of plesiosaurs (Reptilia: Sauropterygia) and its relevance for diving and hearing capabilities

Paulina-Carabajal, A., Cárdenas, G.H. & Reuil, S. · PeerJ

Paulina-Carabajal e colegas analisam via tomografia computadorizada a anatomia endocraniana de plesiossauros, incluindo pliosaurídeos relacionados a Kronosaurus. O trabalho fornece dados sobre as capacidades sensoriais e de mergulho desses répteis marinhos. A análise do endocranio revela que pliosaurídeos tinham lobos olfativos relativamente grandes, sugerindo um olfato aguçado para localizar presas. Os canais semicirculares indicam capacidade de equilíbrio adequada para natação em três dimensões.

Árvore filogenética mostrando a posição de gêneros de Pliosauroidea, publicada em estudo sobre pliosaurídeos jurássicos gigantes (Benson et al., 2013). Kronosaurus aparece como um dos thalassophoneos mais derivados, dentro de Brachaucheninae.

Árvore filogenética mostrando a posição de gêneros de Pliosauroidea, publicada em estudo sobre pliosaurídeos jurássicos gigantes (Benson et al., 2013). Kronosaurus aparece como um dos thalassophoneos mais derivados, dentro de Brachaucheninae.

Diagrama de escala de Brachauchenius lucasi (USNM 4989), o parente norte-americano mais próximo de Kronosaurus dentro de Brachaucheninae. A comparação de tamanho ilustra as dimensões do grupo de pliosaurídeos ao qual Kronosaurus pertence.

Diagrama de escala de Brachauchenius lucasi (USNM 4989), o parente norte-americano mais próximo de Kronosaurus dentro de Brachaucheninae. A comparação de tamanho ilustra as dimensões do grupo de pliosaurídeos ao qual Kronosaurus pertence.

2012

Triassic-Early Cretaceous elasmosaurid plesiosaurs from Australia: new insights into their systematics and evolution

Kear, B.P. · Geological Journal

Kear revisa a sistemática dos plesiosauros australianos do Triássico ao Cretáceo Inferior, documentando o contexto paleoambiental de Kronosaurus e sua fauna contemporânea. O trabalho fornece dados sobre a biogeografia e a evolução dos répteis marinhos na plataforma continental australiana durante o Mesozoico. A revisão contextualiza Kronosaurus dentro da história evolutiva mais ampla dos répteis marinhos australianos, demonstrando que o grupo tinha uma história contínua no continente desde o Triássico.

Mapa do Mar de Eromanga que cobriu o interior da Austrália durante o Cretáceo. Kear (2012) documentou que os répteis marinhos australianos, incluindo Kronosaurus, habitaram este mar epicontinental raso ao longo de uma história evolutiva contínua desde o Triássico.

Mapa do Mar de Eromanga que cobriu o interior da Austrália durante o Cretáceo. Kear (2012) documentou que os répteis marinhos australianos, incluindo Kronosaurus, habitaram este mar epicontinental raso ao longo de uma história evolutiva contínua desde o Triássico.

Trilha do Dinossauro em Richmond, Queensland, perto do Kronosaurus Korner. A região de Richmond é um dos principais locais de coleta de fósseis de Kronosaurus e outros répteis marinhos do Cretáceo Inferior da Austrália.

Trilha do Dinossauro em Richmond, Queensland, perto do Kronosaurus Korner. A região de Richmond é um dos principais locais de coleta de fósseis de Kronosaurus e outros répteis marinhos do Cretáceo Inferior da Austrália.

2017

Plasticity and Convergence in the Evolution of Short-Necked Plesiosaurs

Fischer, V., Benson, R.B.J., Zverkov, N.G., Soul, L.C., Arkhangelsky, M.S., Lambert, O., Stenshin, I.M., Uspensky, G.N. & Druckenmiller, P.S. · Current Biology

Fischer e colegas realizam análise abrangente da evolução dos plesiosauros de pescoço curto (pliosaurídeos e polycotylídeos), demonstrando convergência evolutiva e posicionando Kronosaurus em contexto filogenético global. O trabalho é o mais abrangente sobre a evolução de Pliosauridae e revela que o morfotipo de cabeça grande e pescoço curto evoluiu independentemente em múltiplas linhagens. A posição derivada de Kronosaurus dentro de Brachaucheninae é confirmada por esta análise.

Diagrama de tamanho de Rhomaleosaurus thorntoni, pliosaurídeo do Jurássico Inferior britânico. Fischer et al. (2017) demonstraram que o morfotipo de pliosaurídeo (cabeça grande, pescoço curto) evoluiu convergentemente desde formas primitivas como Rhomaleosaurus até formas derivadas como Kronosaurus.

Diagrama de tamanho de Rhomaleosaurus thorntoni, pliosaurídeo do Jurássico Inferior britânico. Fischer et al. (2017) demonstraram que o morfotipo de pliosaurídeo (cabeça grande, pescoço curto) evoluiu convergentemente desde formas primitivas como Rhomaleosaurus até formas derivadas como Kronosaurus.

Vértebra de plesiosáurio australiano preservada em opala, provavelmente do Cretáceo Inferior. Fischer et al. (2017) analisaram répteis marinhos australianos, incluindo plesiossauros do Cretáceo que serviam como presas potenciais para Kronosaurus.

Vértebra de plesiosáurio australiano preservada em opala, provavelmente do Cretáceo Inferior. Fischer et al. (2017) analisaram répteis marinhos australianos, incluindo plesiossauros do Cretáceo que serviam como presas potenciais para Kronosaurus.

2013

European origin of placodont marine reptiles and the evolution of crushing dentition in Placodontia

Neenan, J.M., Klein, N. & Scheyer, T.M. · Nature Communications

Neenan, Klein e Scheyer analisam filogeneticamente Sauropterygia, demonstrando as raízes evolutivas profundas dos grupos de répteis marinhos. O trabalho tem implicações para entender Pliosauridae incluindo Kronosaurus, ao estabelecer a posição de Pliosauridae dentro da filogenia maior de Sauropterygia. A análise demonstra que a linhagem que levou a Kronosaurus divergiu cedo na história evolutiva de Sauropterygia e desenvolveu adaptações independentes para predação de grande porte.

Fóssil de Liopleurodon ferox (Pliosaurus ferox), pliosaurídeo do Jurássico. Neenan et al. (2013) estabeleceram que Pliosauridae tem raízes evolutivas profundas, com Kronosaurus representando uma linhagem que divergiu cedo na história de Sauropterygia.

Fóssil de Liopleurodon ferox (Pliosaurus ferox), pliosaurídeo do Jurássico. Neenan et al. (2013) estabeleceram que Pliosauridae tem raízes evolutivas profundas, com Kronosaurus representando uma linhagem que divergiu cedo na história de Sauropterygia.

Mandíbula de Pliosaurus sp. da Coleção Etches, Kimmeridge Clay do Jurássico, Inglaterra. Neenan et al. (2013) demonstraram que Pliosauridae tem raízes evolutivas profundas no Jurássico, com Kronosaurus representando a culminação desta linhagem no Cretáceo.

Mandíbula de Pliosaurus sp. da Coleção Etches, Kimmeridge Clay do Jurássico, Inglaterra. Neenan et al. (2013) demonstraram que Pliosauridae tem raízes evolutivas profundas no Jurássico, com Kronosaurus representando a culminação desta linhagem no Cretáceo.

2015

Dental ontogeny and replacement in Pliosauridae

Sassoon, J., Foffa, D. & Marek, R. · Royal Society Open Science

Sassoon, Foffa e Marek analisam via tomografia computadorizada a ontogenia dental e os padrões de substituição dentária em pliosaurídeos. O trabalho tem implicações para as taxas de crescimento e as estratégias de alimentação em Kronosaurus. A análise demonstra que os dentes de pliosaurídeos eram substituídos continuamente ao longo da vida, com novos dentes brotando por baixo dos existentes. Em Kronosaurus, os dentes cônicos de até 7 cm provavelmente eram substituídos a taxas semelhantes às demonstradas neste estudo.

Dente do holótipo de Pliosaurus andrewsi, pliosaurídeo jurássico. Sassoon et al. (2015) usaram CT scan para analisar a ontogenia dental em Pliosauridae, demonstrando que dentes cônicos como os de Kronosaurus eram substituídos continuamente ao longo da vida do animal.

Dente do holótipo de Pliosaurus andrewsi, pliosaurídeo jurássico. Sassoon et al. (2015) usaram CT scan para analisar a ontogenia dental em Pliosauridae, demonstrando que dentes cônicos como os de Kronosaurus eram substituídos continuamente ao longo da vida do animal.

Reconstituição de Temnodontosaurus platyodon, ictiossauro do Jurássico Inferior da Europa. Sassoon et al. (2015) contextualizaram a ontogenia dental de Pliosauridae dentro da evolução mais ampla dos répteis marinhos mesozoicos, grupo que inclui ictiossauros e plesiossauros.

Reconstituição de Temnodontosaurus platyodon, ictiossauro do Jurássico Inferior da Europa. Sassoon et al. (2015) contextualizaram a ontogenia dental de Pliosauridae dentro da evolução mais ampla dos répteis marinhos mesozoicos, grupo que inclui ictiossauros e plesiossauros.

2006

Primaeval Oceans: Evolution of Jurassic-Cretaceous marine environments in Australia

Kear, B.P., Hamilton-Bruce, R.J. & Chapman, S.D. · Journal of the Geological Society of Australia (Special Issue)

Kear, Hamilton-Bruce e Chapman documentam a evolução dos ambientes marinhos australianos do Jurássico ao Cretáceo, incluindo a paleogeografia detalhada do Mar de Eromanga onde Kronosaurus viveu. O trabalho descreve as condições ambientais do Mar de Eromanga (águas rasas, quentes, salobras), a fauna associada e os padrões de sedimentação. É a referência primária para entender o paleoambiente específico de Kronosaurus queenslandicus e contextualizar seus fósseis dentro da história geológica australiana.

Crânio de Temnodontosaurus platyodon (ictiossauro do Jurássico Inferior), museu de Bolonha, Itália. Kear et al. (2006) contextualizaram a fauna australiana do Cretáceo dentro de uma história evolutiva que inclui répteis marinhos jurássicos como Temnodontosaurus, grupo que precedeu os pliosaurídeos como superpredadores nos mares australianos.

Crânio de Temnodontosaurus platyodon (ictiossauro do Jurássico Inferior), museu de Bolonha, Itália. Kear et al. (2006) contextualizaram a fauna australiana do Cretáceo dentro de uma história evolutiva que inclui répteis marinhos jurássicos como Temnodontosaurus, grupo que precedeu os pliosaurídeos como superpredadores nos mares australianos.

Espécime de Rhomaleosaurus no Natural History Museum, Londres. Kear et al. (2006) documentaram a continuidade evolutiva dos répteis marinhos australianos, demonstrando que formas jurássicas como Rhomaleosaurus precederam Kronosaurus e outros pliosaurídeos australianos no Mar de Eromanga.

Espécime de Rhomaleosaurus no Natural History Museum, Londres. Kear et al. (2006) documentaram a continuidade evolutiva dos répteis marinhos australianos, demonstrando que formas jurássicas como Rhomaleosaurus precederam Kronosaurus e outros pliosaurídeos australianos no Mar de Eromanga.

MCZ 1285 — Museum of Comparative Zoology, Harvard University, Cambridge, Estados Unidos

Tim Sackton, CC BY-SA 2.0

MCZ 1285

Museum of Comparative Zoology, Harvard University, Cambridge, Estados Unidos

Completude: ~65% (montagem com vértebras de gesso)
Encontrado em: 1931
Por: William E. Schevill (Expedição Harvard a Queensland)

O espécime mais famoso de Kronosaurus queenslandicus, coletado em Army Downs, perto de Hughenden, Queensland, pela expedição de Harvard em 1930-1931. Montado por Romer e Lewis em 1959 com comprimento de 12,8 metros, mas com ~8 vértebras artificiais de gesso adicionadas. McHenry (2009) estimou o comprimento real em ~10,5 m. O crânio tem 2,2 m de comprimento basal e a mandíbula tem 2,6 m. Display permanente no museu desde 1959.

QM F18827 (neótipo proposto) — Queensland Museum, Brisbane, Austrália

Poropat et al. (2021), CC BY-SA 4.0

QM F18827 (neótipo proposto)

Queensland Museum, Brisbane, Austrália

Completude: Crânio parcial (vista dorsal)
Encontrado em: 1990
Por: Não documentado

Espécime da Toolebuc Formation (Aptiano tardio), Queensland, proposto como neótipo de K. queenslandicus por Poropat et al. (2021) por representar melhor a anatomia craniana da espécie do que o holótipo fragmentário de Longman (1924). McHenry (2009) publicou a primeira reconstituição detalhada do crânio baseada neste espécime. O crânio reconstruído fornece dados essenciais sobre a morfologia craniana de Kronosaurus.

KK F0630 — Kronosaurus Korner, Richmond, Queensland, Austrália

peter boer (minuseleven), CC BY 2.0

KK F0630

Kronosaurus Korner, Richmond, Queensland, Austrália

Completude: Mandíbula quase completa
Encontrado em: 2000
Por: Kronosaurus Korner team

Mandíbula quase completa da Allaru Mudstone (Albiano), noroeste de Queensland, descrita por Holland (2018). Preserva a sínfise mandibular com embaiamentos laterais únicos e a constrição pós-sinfiseal. Este espécime expandiu significativamente o conhecimento sobre a morfologia da mandíbula de Kronosaurus e é o espécime mais informativo para a anatomia mandibular da espécie.

Kronosaurus conquistou espaço permanente na cultura pop como o 'tubarão branco do Cretáceo australiano', um papel que seu crânio colossal e dentes afiados justificam com autoridade. No cinema e nas séries documentais, apareceu mais frequentemente em produções sobre a 'vida selvagem pré-histórica', com destaque para Chased by Sea Monsters (BBC, 2003), onde Nigel Marven enfrenta virtualmente o animal nos mares australianos do Cretáceo. O documentário IMAX Sea Monsters: A Prehistoric Adventure (2007) levou Kronosaurus às telas de grande formato, consolidando sua imagem como superpredador. A controversa reconstituição de Harvard (MCZ 1285), com 12,8 metros e vértebras de gesso, tornou-se ela própria objeto de fascinação cultural, com o apelido 'Plasterosaurus' ganhando vida independente nas redes sociais. Na Austrália, a espécie é símbolo de orgulho paleontológico, com o Kronosaurus Korner em Richmond, Queensland, tornando-se destino turístico dedicado exclusivamente ao animal. O fato de que a espécie batizou um museu inteiro atesta o poder de um crânio de 2,2 metros sobre a imaginação humana.

Animatrônico do T-rex da franquia Jurassic Park com o Jeep característico da série

Animatrônico em tamanho real do T-rex da franquia Jurassic Park, com o Jeep vermelho icônico da série — Amaury Laporte · CC BY 2.0

1999 📹 Walking with Dinosaurs (série TV) — Tim Haines Wikipedia →
2003 📹 Chased by Sea Monsters — Nigel Paterson Wikipedia →
2007 📹 Sea Monsters: A Prehistoric Adventure — Sean MacLeod Phillips Wikipedia →
2013 📹 Australia's First 4 Billion Years (PBS) — PBS Nova Wikipedia →
2014 📹 Prehistoric Sea Monsters (série documental) — Diversas produções Wikipedia →
Sauropterygia
Plesiosauria
Pliosauroidea
Pliosauridae
Brachaucheninae
Primeiro fóssil
1899
Descobridor
Charles de Vis (fragmento inicial); espécime Harvard: William E. Schevill (1931)
Descrição formal
1924
Descrito por
Heber A. Longman
Formação
Toolebuc Formation / Allaru Mudstone
Região
Queensland
País
Australia
Longman, H.A. (1924) — Memoirs of the Queensland Museum

Curiosidade

O espécime mais famoso de Kronosaurus, montado em Harvard em 1959, tem oito vértebras falsas de gesso adicionadas pelos pesquisadores, inflando o comprimento do animal de cerca de 10,5 para 12,8 metros. O apelido informal 'Plasterosaurus' ainda circula entre paleontólogos como lembrança deste erro histórico.