Maxakalisaurus
Maxakalisaurus topai
"Lagarto do povo Maxakali, de Topá"
Sobre esta espécie
O Maxakalisaurus topai é um titanossauro brasileiro descoberto na Formação Adamantina, no Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. Descrito por Kellner et al. em 2006, é um dos saurópodes mais bem documentados do Brasil. Com cerca de 13 metros de comprimento e peso estimado em 5 toneladas, possuía um pescoço e cauda longos, dentes estriados, traço incomum entre saurópodes, e osteodermos, placas ósseas dérmicas. Seu nome homenageia o povo indígena Maxakali, originário da região, e a divindade Topá do panteão Maxakali. O holótipo (MN 5013-V) ficava exposto no Museu Nacional do Rio de Janeiro até o incêndio de 2018, que destruiu parte do material. Uma campanha de reconstrução foi lançada posteriormente para restaurar o esqueleto.
Formação geológica e ambiente
A Formação Adamantina é a maior unidade do Grupo Bauru em extensão areal, cobrindo partes do noroeste do estado de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Mato Grosso. É composta por arenitos avermelhados de granulação fina a média intercalados com lamitos, siltitos e arenitos lamosos, depositados em sistema de rios entrelaçados com influência lacustre subordinada em clima semiárido. A idade da formação é estimada como Turoniana a Campaniana (aproximadamente 90 a 80 milhões de anos), com base em correlação bioestratigráfica. Além do Maxakalisaurus topai, a formação preservou uma fauna diversa incluindo crocodilianos, tartarugas, peixes, abelissaurídeos e outros titanossauros indet. O distrito paleontológico de Prata, a 45 km a oeste da cidade de Prata, é um dos sítios fossilíferos mais ricos da formação.
Galeria de imagens
Miniatura do Maxakalisaurus topai exibida no Museu Nacional da UFRJ, Rio de Janeiro. A réplica em menor escala acompanhava o esqueleto montado do holótipo MN 5013-V, destruído parcialmente no incêndio de 2018.
GeoPotinga, CC BY-SA 3.0
Ecologia e comportamento
Habitat
O Maxakalisaurus topai habitava o ambiente semiárido da Formação Adamantina durante o Cretáceo Superior, há cerca de 80 a 85 milhões de anos. O paleoambiente era caracterizado por um sistema de rios entrelaçados com cheias sazonais, vegetação esparsa e alternância entre estações de seca intensa e períodos chuvosos. O Triângulo Mineiro, onde os fósseis foram encontrados, correspondia a uma planície baixa próxima a corpos d'água temporários. O ecossistema incluía crocodilianos, tartarugas e peixes, além de terópodes como abelissaurídeos e carcarodontossaurídeos.
Alimentação
Como saurópode titanossauro, o Maxakalisaurus topai era herbívoro obrigatório. Seus dentes estriados e subovais em seção transversal, descritos por França et al. (2016), são incomuns entre saurópodes e sugerem uma estratégia alimentar especializada, possivelmente adaptada a vegetação mais fibrosa ou abrasiva. O pescoço longo permitia alcançar vegetação tanto ao nível do solo quanto em alturas moderadas. Com o sistema de dois dentes de reposição por alvéolo, a dentição era continuamente renovada para compensar o desgaste causado pelo processamento de grandes quantidades de material vegetal.
Comportamento e sentidos
As evidências fósseis diretas sobre o comportamento do Maxakalisaurus topai são limitadas. Como membro de Aeolosaurini, é plausível que exibisse comportamento gregário similar ao documentado para outros titanossauros, com possíveis agregações em torno de fontes de água durante as estações secas. A presença de osteodermos sugere uma função de proteção contra predadores ou de termorregulação. Os titanossauros sul-americanos do Cretáceo Superior coexistiam com grandes terópodes, o que implica pressão predatória sobre juvenis e possivelmente comportamento defensivo em grupo.
Fisiologia e crescimento
Como titanossauro derivado dentro de Lithostrotia, o Maxakalisaurus topai provavelmente possuía metabolismo endotérmico ou mesotérmico, similar ao inferido para outros titanossauros com base em histologia óssea. Os osteodermos encontrados no holótipo podem ter funcionado como reservas de cálcio para a produção de ovos, hipótese levantada para outros titanossauros com osteodermos. Com estimativa de peso de 5 toneladas e comprimento de 13 metros, era um animal de médio porte para os padrões dos titanossauros, mas representava o maior herbívoro do seu ecossistema. O sistema de reposição dental contínua indica alta taxa de desgaste dentário relacionado ao processamento de vegetação.
Paleogeografia
Configuração continental
Ron Blakey · CC BY 3.0 · Cretáceo, ~90 Ma
Durante o Santoniano–Campaniano (~85–80 Ma), Maxakalisaurus topai habitava a Laramídia, a metade ocidental do que hoje é a América do Norte, separada pelo Mar Interior do Oeste (Western Interior Seaway), um mar raso que dividia o continente ao meio. Os continentes estavam em posições muito diferentes das atuais: a Índia viajava em direção à Ásia, a Antártida ainda estava conectada à Austrália, e a América do Sul era uma ilha separada.
Inventário de Ossos
O holótipo (MN 5013-V) é um esqueleto parcial e desarticulado que inclui fragmento da maxila direita com dentes, doze vértebras cervicais, costelas cervicais, sete vértebras dorsais, costelas dorsais, elementos sacrais, seis vértebras caudais, arcos hemais, fragmentos de escápulas, placas esternais, porção do ísquio esquerdo, úmeros, metacarpos, fragmento de fíbula e osteodermos. Uma segunda ocorrência referida à espécie, incluindo dentário e dentes, foi descrita por França et al. (2016). Parte do material foi perdida no incêndio do Museu Nacional em 2 de setembro de 2018.
Estruturas encontradas
Estruturas inferidas
Literatura Científica
15 artigos em ordem cronológica — do artigo de descrição original até pesquisas recentes.
On a new titanosaur sauropod from the Bauru Group, Late Cretaceous of Brazil
Kellner, A.W.A., Campos, D.A., Azevedo, S.A.K., Trotta, M.N.F., Henriques, D.D.R., Craik, M.M.T. e Silva, H.P. · Boletim do Museu Nacional, Nova Série, Geologia
Artigo fundador que nomeia e descreve Maxakalisaurus topai com base no holótipo MN 5013-V, escavado ao longo de quatro temporadas de campo entre 1998 e 2002, a 45 km a oeste de Prata, Minas Gerais. Kellner e colegas do Museu Nacional documentam um esqueleto parcial e desarticulado que inclui elementos cranianos, vértebras cervicais e dorsais, costelas, elementos do cíngulo peitoral, úmeros, elementos pélvicos, vértebras caudais e osteodermos. A presença de dentes estriados é apontada como caráter incomum entre saurópodes. Os autores posicionam o táxon como titanossauro e discutem suas afinidades com outros titanossauros sul-americanos, em particular com Saltasaurinae e Aeolosaurini. O nome genérico homenageia o povo Maxakali, indígenas da região, e o epíteto específico refere-se a Topá, divindade do panteão Maxakali. Este trabalho lançou as bases taxonômicas para todos os estudos subsequentes sobre a espécie.
New lower jaw and teeth referred to Maxakalisaurus topai (Titanosauria: Aeolosaurini) and their implications for the phylogeny of titanosaurid sauropods
França, M.A.G., Marsola, J.C.A., Riff, D., Hsiou, A.S. e Langer, M.C. · PeerJ
França e colegas descrevem um dentário e dentes referidos ao Maxakalisaurus topai, ampliando substancialmente o conhecimento sobre a morfologia craniana da espécie. O dentário mede 8,2 cm no sentido anteroposterior e possui dez alvéolos. Os dentes exibem facetas planares de alto ângulo e são subovais em seção transversal, com dois dentes de reposição por alvéolo. A análise filogenética utiliza 42 táxons e 253 caracteres e recupera o clado Aeolosaurini, posicionando Maxakalisaurus como membro basal desse grupo. Os resultados confirmam Gondwanatitan e Aelosaurus como táxons irmãos, e identificam nove novos caracteres dentários para o táxon. O trabalho demonstrou que o material dental é informativo para a sistemática dos titanossauros brasileiros e forneceu a análise filogenética mais robusta já publicada especificamente sobre M. topai.
A new sauropod (Macronaria, Titanosauria) from the Adamantina Formation, Bauru Group, Upper Cretaceous of Brazil and the phylogenetic relationships of Aeolosaurini
Santucci, R.M. e Arruda-Campos, A.C. · Zootaxa
Santucci e Arruda-Campos descrevem Aeolosaurus maximus, uma nova espécie de Aeolosaurini da Formação Adamantina do estado de São Paulo. A análise filogenética revisada, que inclui Maxakalisaurus topai como táxon de referência, recupera Aeolosaurini como clado endêmico da América do Sul com membros encontrados apenas na Argentina e no Brasil. O trabalho discute os caracteres sinapomórficos do grupo, com ênfase nos processos hemais, e reposiciona Maxakalisaurus em relação aos outros membros do clado. A descrição detalhada de A. maximus forneceu novos dados comparativos para interpretar a morfologia de M. topai, especialmente no que diz respeito às vértebras caudais e seus arcos hemais. Este estudo consolidou a posição de Aeolosaurini como unidade filogenética coerente dentro de Titanosauria.
Vertebrate fossils from the Adamantina Formation (Late Cretaceous), Prata paleontological district, Minas Gerais State, Brazil
Candeiro, C.R.A., Santos, A.R., Rich, T., Marinho, T.S. e Oliveira, E.C. · Geobios
Candeiro e colegas apresentam um inventário sistemático dos vertebrados fósseis da Formação Adamantina no distrito paleontológico de Prata, Minas Gerais, precisamente o local onde o Maxakalisaurus topai foi escavado. O trabalho documenta a fauna associada que inclui lepisosteideos, amiídeos, dinossauros abelissaurídeos, carcarodontossaurídeos e titanossauros indet., além de crocodilianos e tartarugas. Os sedimentos da Formação Adamantina na região são descritos como arenitos avermelhados com sedimentos fluvio-lacustres depositados em ambiente semiárido. O distrito paleontológico de Prata, situado 45 km a oeste da cidade de Prata, é caracterizado como um dos locais fossilíferos mais importantes do Brasil. Este estudo estabeleceu o contexto bioestratigráfico e paleoambiental para a descoberta do Maxakalisaurus topai.
Uberabatitan ribeiroi, a new titanosaur from the Marília Formation (Bauru Group, Upper Cretaceous), Minas Gerais, Brazil
Salgado, L. e Carvalho, I.S. · Palaeontology
Salgado e Carvalho descrevem o Uberabatitan ribeiroi, um novo titanossauro do Maastrichtiano do Grupo Bauru em Uberaba, Minas Gerais, o mesmo estado onde foi encontrado o Maxakalisaurus topai. A análise filogenética posiciona Uberabatitan dentro de Titanosauria e discute suas relações com outros titanossauros sul-americanos, incluindo táxons da Formação Adamantina. O material inclui mais de sessenta ossos representando pelo menos cinco indivíduos de idades e tamanhos variados, o que permitiu discussão sobre ontogenia. Embora distintos, Uberabatitan e Maxakalisaurus são contemporâneos do Grupo Bauru de Minas Gerais, e esta descrição oferece contexto anatômico comparativo valioso. A análise filogenética, ao incluir Maxakalisaurus como táxon de comparação, contribuiu para clarificar as relações internas de Titanosauria.
A New Giant Titanosauria (Dinosauria: Sauropoda) from the Late Cretaceous Bauru Group, Brazil
Bandeira, K.L.N., Simbras, F.M., Machado, E.B., Campos, D.A., Oliveira, G.R. e Kellner, A.W.A. · PLOS ONE
Bandeira e colegas, entre eles Kellner, o mesmo autor da descrição do Maxakalisaurus, descrevem o Austroposeidon magnificus, o maior dinossauro encontrado no Brasil até então, da Formação Presidente Prudente (Grupo Bauru), São Paulo. O espécime, originalmente coletado em 1953 por Llewelyn Ivor Price e mantido em depósito por mais de 60 anos no Museu de Ciências da Terra do Rio de Janeiro, consiste em coluna vertebral parcial. A análise filogenética revela que Austroposeidon é grupo-irmão de Lognkosauria. O uso de tomografia computadorizada revelou estruturas ósseas internas inéditas nas vértebras cervicais. O trabalho demonstra a excepcional diversidade de titanossauros gigantescos no Grupo Bauru e fornece um contexto filogenético mais amplo dentro do qual o Maxakalisaurus pode ser posicionado como um membro de médio porte de Aeolosaurini.
New specimens of Baurutitan britoi and a taxonomic reassessment of the titanosaur dinosaur fauna (Sauropoda) from the Serra da Galga Formation (Late Cretaceous) of Brazil
Silva Junior, J.C.G., Marinho, T.S., Martinelli, A.G. e Langer, M.C. · PeerJ
Silva Junior e colegas reavaliam o Baurutitan britoi com base em novos espécimes da Formação Serra da Galga (Grupo Bauru) e apresentam uma análise filogenética revisada dos titanossauros sul-americanos do Cretáceo Superior. A análise inclui Maxakalisaurus topai como táxon de comparação e contribui para clarificar as relações entre os titanossauros do Grupo Bauru. Os autores identificam que Trigonosaurus pricei é um sinônimo júnior de Baurutitan britoi. A reavaliação taxonômica demonstra que a diversidade de titanossauros na Formação Serra da Galga é maior do que se pensava. O trabalho fornece dados comparativos atualizados sobre vértebras e outros elementos esqueléticos que complementam o conhecimento sobre a anatomia dos titanossauros do Grupo Bauru, contexto direto para interpretar os ossos do Maxakalisaurus topai da Formação Adamantina sobreposta.
Titanosauria of the Bauru Group: a summary of records and their importance for understanding the diversity of the clade in Brazil
Nascimento, E.G., Candeiro, C.R.A., Vidal, L., Oliveira, E.F., Dias, T.C. e Brusatte, S. · Andean Geology
Nascimento e colegas, incluindo o paleontólogo britânico Steve Brusatte, publicam uma revisão abrangente de todos os registros de titanossauros do Grupo Bauru no Cretáceo Superior do Brasil. O trabalho analisa oito espécies reconhecidas, incluindo o Maxakalisaurus topai, e discute sua importância para compreender a diversidade do clado na América do Sul. Os autores identificam os fatores ambientais e geográficos do Cretáceo Superior que controlavam os ciclos de vida desses herbívoros gigantes e possíveis rotas de migração. As características litológicas dos afloramentos sugerem um paleoambiente de rios entrelaçados em clima árido com pouca cobertura vegetal. O estudo também destaca que as Formações Adamantina e Serra da Galga representam as áreas com maior número de registros coletados, onde as condições ambientais foram mais favoráveis para a prosperação e preservação dos titanossauros.
Vertebrate faunas from the Adamantina and Marília formations (Upper Baurú Group, Late Cretaceous, Brazil) in their stratigraphic and paleobiogeographic context
Bertini, R.J., Marshall, L.G., Gayet, M. e Brito, P. · Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie – Abhandlungen
Bertini e colegas realizam uma revisão pioneira das faunas de vertebrados das Formações Adamantina e Marília (Grupo Bauru Superior, Cretáceo Superior do Brasil) no contexto estratigráfico e paleobiogeográfico. O trabalho estabelece o quadro de referência para compreender a diversidade faunística do Grupo Bauru, incluindo os titanossauros saurópodes que viriam a ser descritos nas décadas seguintes, como o Maxakalisaurus topai. A análise paleobiogeográfica demonstra conexões entre a fauna do Grupo Bauru e faunas contemporâneas da América do Sul, especialmente da Argentina. O estudo define o intervalo Turoniano-Maastrichtiano para as formações do Grupo Bauru com base em correlação faunística. Esta revisão fundadora permanece essencial para contextualizar qualquer nova espécie descrita do Grupo Bauru, incluindo o Maxakalisaurus.
A new sauropod dinosaur (Titanosauria) from the Late Cretaceous of Brazil
Kellner, A.W.A. e Azevedo, S.A.K. · National Science Museum Monographs
Kellner e Azevedo descrevem o Gondwanatitan faustoi, um novo titanossaurídeo saurópode do Cretáceo Superior (Grupo Bauru) de São Paulo, sendo o esqueleto de saurópode mais completo encontrado no Brasil até então. O material (MN 4111-V) inclui elementos do crânio, vértebras cervicais, dorsais, sacrais e caudais, cintura escapular e pélvica, e membros. Kellner é o mesmo autor que descreveria o Maxakalisaurus topai sete anos depois, e o Gondwanatitan foi apontado como táxon irmão ou próximo do Maxakalisaurus em análises filogenéticas subsequentes. Este trabalho estabeleceu a base de comparação anatômica entre os titanossauros do Grupo Bauru e posicionou a fauna brasileira dentro da Aeolosaurini sul-americana.
Distribution, paleoenvironments and palaeobiogeography of the Late Cretaceous titanossaur sauropods from western São Paulo and Minas Gerais, southeastern Brazil
Santucci, R.M. e Bertini, R.J. · Geológica Acta
Santucci e Bertini analisam a distribuição dos titanossauros saurópodes do Cretáceo Superior nas Formações Adamantina e correlatas do oeste de São Paulo e Minas Gerais, com discussão sobre paleoambientes e paleobiogeografia. O trabalho examina diretamente o contexto geográfico e estratigráfico do Maxakalisaurus topai, discutindo o paleoambiente da Formação Adamantina como um sistema de rios entrelaçados em clima semiárido. A análise paleobiogeográfica aponta relações entre os titanossauros do Grupo Bauru e os táxons argentinos de Aeolosaurini, sugerindo corredores de dispersão ao longo do Cretáceo Superior da América do Sul. Este estudo contribuiu para estabelecer a distribuição geográfica dos titanossauros do Grupo Bauru e forneceu um mapa de ocorrências que contextualizou a descoberta do Maxakalisaurus.
Sauropoda
Upchurch, P., Barrett, P.M. e Dodson, P. · The Dinosauria (2nd edition), University of California Press
Upchurch, Barrett e Dodson publicam a revisão sistemática mais abrangente de Sauropoda na segunda edição de The Dinosauria, obra de referência fundamental da paleontologia de dinossauros. O trabalho define formalmente o clado Lithostrotia (do qual Maxakalisaurus faz parte) como o ancestral comum mais recente de Malawisaurus e Saltasaurus e todos os seus descendentes. A monografia estabelece a terminologia morfológica padronizada, os caracteres filogenéticos diagnósticos e o quadro classificatório dentro do qual Maxakalisaurus topai seria posicionado por Kellner et al. em 2006 e por análises subsequentes. A análise filogenética de 309 táxons e mais de 200 caracteres continua sendo a referência taxonômica fundamental para todos os trabalhos sobre titanossauros, inclusive os brasileiros.
A gigantic new dinosaur from Argentina and the evolution of the sauropod hind foot
González Riga, B.J., Lamanna, M.C., Ortiz David, L.D., Calvo, J.O. e Coria, J.P. · Scientific Reports
González Riga e colegas descrevem o Notocolossus gonzalezparejasi, um dos maiores dinossauros já encontrados, do Cretáceo de Mendoza, Argentina. O trabalho inclui uma análise filogenética abrangente de Titanosauria que posiciona o Notocolossus dentro de Lithostrotia e recupera o clado Aeolosaurini, com Maxakalisaurus topai como táxon de referência. A análise do pé posterior de titanossauros gigantes revelou adaptações funcionais únicas relacionadas ao suporte do enorme peso corporal. O trabalho discute a biogeografia dos titanossauros gigantes da América do Sul e fornece um contexto filogenético atualizado para interpretar a posição do Maxakalisaurus topai dentro de Aeolosaurini. O estudo foi publicado na Scientific Reports e é de acesso aberto, representando uma das análises filogenéticas mais abrangentes de Titanosauria disponíveis.
Evolution of the titanosaur metacarpus
Apesteguía, S. · Thunder-Lizards: The Sauropodomorph Dinosaurs, Indiana University Press
Apesteguía analisa a evolução do metacarpo nos titanossauros saurópodes, revisando os caracteres diagnósticos que distinguem grupos como Aeolosaurini de outros titanossauros. O trabalho é relevante para interpretar os metacarpos do Maxakalisaurus topai, que estão entre os elementos preservados no holótipo MN 5013-V. A morfologia do metacarpo é discutida em contexto evolutivo, com comparações entre titanossauros sul-americanos e africanos. As características do metacarpo em coluna vertical, típica de titanossauros derivados, são analisadas em relação à postura quadrúpede e ao modo de locomoção desses gigantes. O trabalho fornece um framework anatômico para interpretar os elementos da mão de Maxakalisaurus dentro da diversidade morfológica dos Aeolosaurini.
A complete skull of an Early Cretaceous sauropod and the evolution of advanced titanosaurians
Zaher, H., Pol, D., Carvalho, A.B., Nascimento, P.M., Riccomini, C., Larson, P., Juárez-Valieri, R., Pires-Domingues, R., Silva, N.J. e Campos, D.A. · PLOS ONE
Zaher e colegas descrevem o Tapuiasaurus macedoi, um titanossauro do Cretáceo Inferior de Minas Gerais, com crânio quase completo, o mais completo entre os titanossauros. A análise filogenética, publicada na PLOS ONE, posiciona Tapuiasaurus em uma tricotomia com Trigonosaurus e Maxakalisaurus topai, evidenciando relações filogenéticas diretas entre os dois dinossauros brasileiros. O crânio revela que os titanossauros avançados desenvolveram morfologia craniana alongada semelhante à dos diplodócidos muito antes do que se imaginava, de 30 a 40 milhões de anos antes de sua radiação no Cretáceo Superior. O trabalho é de acesso aberto e inclui análise filogenética com 42 táxons que é uma referência para posicionar os titanossauros do Grupo Bauru, incluindo o Maxakalisaurus.
Espécimes famosos em museus
MN 5013-V (Holótipo)
Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil
Holótipo de Maxakalisaurus topai, escavado em quatro temporadas de campo (1998–2002) a 45 km a oeste de Prata, Minas Gerais. Inclui fragmento da maxila direita com dentes, doze vértebras cervicais, sete vértebras dorsais, elementos sacrais, seis vértebras caudais, arcos hemais, fragmentos de escápulas, úmeros, metacarpos, fragmento de fíbula e osteodermos. Parte do material foi perdida no incêndio do Museu Nacional de 2 de setembro de 2018. Uma campanha de financiamento coletivo foi lançada para reconstruir o esqueleto.
Segundo espécime referido (dentário e dentes)
Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil
Material adicional referido ao Maxakalisaurus topai que inclui um dentário e dentes, descrito por França et al. (2016) na revista PeerJ. O dentário mede 8,2 cm no sentido anteroposterior e possui dez alvéolos. Os dentes exibem facetas planares de alto ângulo e são subovais em seção transversal, com dois dentes de reposição por alvéolo. Este material ampliou substancialmente o conhecimento sobre a morfologia craniana da espécie.
No cinema e na cultura popular
O Maxakalisaurus topai nunca esteve presente nos grandes blockbusters de dinossauros como Jurassic Park, mas sua história real é mais dramática do que qualquer ficção. Quando foi descrito em 2006, o Museu Nacional do Rio de Janeiro montou uma réplica de 13 metros para exposição pública, tornando-o o maior dinossauro exposto no Brasil, com cobertura de veículos internacionais como NBC News e Al Jazeera. A notícia foi tratada como orgulho nacional. Em 2018, quando o incêndio devastou o Museu Nacional, o esqueleto do Maxakalisaurus foi parcialmente destruído, gerando comoção em todo o Brasil. O titanossauro tornou-se símbolo das perdas irreparáveis do acervo científico brasileiro. Campanhas de reconstrução foram lançadas, incluindo uma via financiamento coletivo, para devolver ao público o único grande dinossauro que o Brasil conseguiu expor montado. Documentários científicos como Prehistoric Planet (Apple TV+, 2022) e Planet Dinosaur (BBC, 2011) retratam titanossauros sul-americanos similares com alta fidelidade científica, ainda que não mencionem o Maxakalisaurus pelo nome. O futuro da exposição pública desta espécie depende da reconstrução e reabertura do Museu Nacional, uma das maiores perdas patrimoniais da história do Brasil.
Classificação
Descoberta
Curiosidade
O Maxakalisaurus topai era o maior dinossauro do Brasil e o único com um esqueleto montado exposto ao público no Brasil. Em 2018, o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro danificou parcialmente o esqueleto, e uma campanha de financiamento coletivo foi lançada para reconstruí-lo. O nome homenageia os Maxakali, povo indígena cujo território original fica próximo ao local da descoberta, e Topá, uma das principais divindades de seu panteão.